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A complexidade humana

A Complexidade Humana - Poblada - Soledad

A Complexidade Humana

O primeiro e talvez o maior desafio de todos que teremos que enfrentar para entendermos a respeito da complexidade humana é justamente esta questão:

O homem antigo olhava para o céu e via o Sol, a Lua e as estrelas; olhava para a terra e via montanhas, lagos, florestas e animais; olhava para seus semelhantes e via amigos e inimigos; olhava para si e se via… mas não se entendia… nem entendia o mundo em que vivia.

Por isso, lentamente, ao longo dos milênios, ele foi criando histórias e mais histórias para explicar a razão da sua existência e do universo à sua volta. Inicialmente, o homem criou os mitos, com seus inúmeros deuses, semi-deuses e espíritos da natureza; depois sintetizou tudo isto em um Deus, nos anjos e nos demônios; e finalmente imaginou a ciência, explicando tudo por acasos e leis matemáticas.

Em cada uma destas etapas ele sempre julgou estar certo em seu ponto-de-vista: tanto o aborígene quanto o religioso, o cientista e o filósofo, todos crêem que estão certos… A única coisa comum a todas as crenças é que todas acham que estão certas… Mas se todos acreditam estarem certos, quem realmente o está? O que dá a uma pessoa a certeza de sua verdade, quando ao mesmo tempo bilhões de pessoas pensam diferente dela e também se consideram corretas?

Para adentrarmos neste questionamento temos que investigar primeiro nossa capacidade de avaliar e concluir qualquer coisa a nosso próprio respeito e em relação ao universo que nos circunda.

O primeiro passo para chegarmos a um “critério de verdade” vem de nossa capacidade orgânica e neurológica de perceber o mundo circundante. O cérebro e os sentidos nos trazem a visão, o olfato, o paladar, a audição e o tato. Com eles percebemos, sentimos e vivenciamos o mundo.

O segundo passo é tentarmos dar um significado a tudo isto, utilizando-se do conhecimento que possuímos no momento em que julgamos os fenômenos que presenciamos. É assim que os acreditavam em, o deus do céu e do destino e em um deus maligno. É também assim que os cristãos acreditam em Deus e Jesus, os Platônicos no mundo das e das e os cientistas nos Pulsars e Quarks.

Este emaranhado de conceitos poderia ser simplificado se todos os seres humanos possuíssem apenas os 5 sentidos clássicos. Mas, para complicar a situação, sempre existiram em toda a humanidade pessoas que diziam possuir outros sentidos e com eles conseguiam ver, ouvir e falar com anjos, espíritos e deuses. Os xamãs, os profetas, os videntes e os loucos vivem em dimensões que os outros mortais desconhecem diretamente. Se este mundo espiritual não existisse, sobraria apenas a ciência árida e racional, com seu universo feito de partículas e leis imutáveis; mas com a sua suposta existência abre-se uma razão transcedental para nossa existência, que ultrapassa os limites do nascimento e da morte…

Serão estes pontos-de-vista inconciliáveis? Einstein disse que “a ciência sem religião é paralítica e a religião sem ciência é cega”. Ele acreditava em Deus, mas não no Deus pessoal das religiões; quando o rabino Herbert S. Goldstein perguntou a Einstein: “O senhor acredita em Deus?” A resposta foi: “Acredito no Deus de Espinosa, que se revela na harmonia ordeira daquilo que existe, e não num Deus que se interessa pelo destino e pelos atos dos seres humanos”. E quando surgiu a Mecânica Quântica com o princípio da incerteza de Heisenberg, Einstein respondeu: “Deus não joga dados”.

A proposta deste Blog é viajar e conhecer estas histórias humanas com seus conceitos, critérios e verdades conclusivas. Como viajantes mágicos, singraremos do micro para o macrocosmo, do material para o espiritual e da simplicidade para a complexidade humana. Boa Viagem!

Meu consultório fica no bairro Mercês em Curitiba, Paraná, na Rua Padre Anchieta, 820. Fones/Fax: 041-3336-5022 e 3336-3855.
* Foto: “Poblada soledad”, óleo de Alberto Pancorbo.