nav-left cat-right
cat-right

“Alergia a Comida” pela Revista Época

Esta reportagem foi publicada pela Revista Época, num momento importante sobre as publicações sobre as alergias alimentares.

Conforme já vimos nas páginas anteriores, este texto está plenamente de acordo com o ponto-de-vista oficial, que valoriza apenas os quadros de alergia chamados “imediatos”, “verdadeiros” ou “anafiláticos”, causados pela imunoglobulina IgE.

A Letícia Sorg está de parabéns pela sua matéria, mas sinto a necessidade de enriquecer este estudo pontuando as informações do infográfico “O que já se sabe”, adicionando outros enfoques que não apenas o da IgE. Minhas informações estarão assinaladas como “Resp.:“.

Algumas respostas levarão a outras páginas, para aprofundar os temas.

Então vamos ler a reportagem:

A nova guerra às alergias [1]

As armas da medicina para combater o crescimento

do número de casos de reações graves a alimentos

Dennise Passos de Oliveira não tinha como saber, mas a geleia de mocotó que dava ao filho Luiz Guilherme, de 6 meses, era a causa; e não a solução, para as cólicas e os vômitos do bebê. Ao entrar em seu organismo, uma proteína do leite contido na gelei a provocava uma reação semelhante à do sistema imune quando atacado por vírus. Alimentos comuns como arroz, espinafre, mandioquinha e frango também causavam vômito. Às vezes, só de sentir cheiro de comida Luiz Guilherme começava a passar mal. O menino perdia peso, crescia abaixo da média e teve inchaço no fígado e no baço. Por fim, a gastropediatra Maria Helena Simões identificou a razão: uma grave alergia. Seu caso, embora raro, ilustra o crescente problema das alergias múltiplas, para o qual só agora a medicina começa a encontrar explicações.

A médica mandou suspender prati­camente todos os alimentos sólidos e receitou para Luiz Guilherme uma fór­mula especial, com proteínas já “digeri­das”: para evitar novas reações alérgicas. Hoje com 2 anos, Luiz Guilherme é um menino alegre e calmo, que passa o dia brincando com um macaquinho de pe­lúcia. Um ano e meio depois do início do tratamento, além da fórmula especial, ele já pode comer quiabo, maxixe, abóbora, macarrão de sêmola, carne de carneiro e está se aventurando pelas frutas. Teve reações a banana, ameixa e pera, mas está experimentando abacate e mamão.

Esse caso, ainda que extremo, não é to­talmente estranho aos ouvidos de pais e mães. Quase todos já ouviram falar, den­tro do círculo de amizades, de histórias de crianças com graves alergias ou into­lerâncias a um ou mais alimentos, como numa espécie de pandemia silenciosa. O aumento do número de casos provavel­mente se deve em parte a uma melhora nos diagnósticos, o que não o torna menos alarmante. Segundo o dado mais recente, de 2007, do Centro de Controle e Preven­ção de Doenças, nos Estados Unidos, o aumento foi de 18% em uma década. A alta mais significativa foi na faixa de 0 a 5 anos de idade, fase da vida em que o sistema imune está mais vulnerável.

No mundo inteiro, alergias se tor­naram uma verdadeira paranoia. Na Aus­trália, o menino Kaleb Bussenschutt, de 5 anos, se alimenta por sonda e pode apenas chupar gelo. Nos Estados Unidos, algumas escolas baniram do recreio os lanchinhos com amendoim e derivados. Recentemen­te, a queda de um simples amendoim no assoalho de um ônibus escolar gerou a eva­cuação e a descontaminação do veículo. Também nos Estados Unidos, foi realiza­do em agosto o primeiro jogo de beisebol “peanut-free” (ou seja, livre de amendoim: comer amendoins e derivados em estádios de beisebol faz parte da cultura americana) apenas para que um menino, Kyle Graddy, de 9 anos, alérgico à semente, pudesse as­sistir ao vivo a seu esporte favorito.

Exageros à parte, é fato que se tornou mais comum o diagnóstico de alergias múltiplas numa mesma criança. “Há 25 anos, quando comecei a trabalhar com isso, os testes sanguíneos da maioria das crianças apontavam alergia a apenas um tipo de alimento’: diz Hugh Sampson, um dos maiores especialistas americanos em alergias infantis. “Agora o incomum é encontrar um exame em que só haja rea­ção a um tipo de comida.” Em seu dia a dia na Faculdade de Medicina Mount Sinai, em Nova York, onde dirige o serviço de alergia e imunoterapia do Departamento de Pediatria, Hugh Sampson dedica-se a estudar uma cura para o problema. Ele é um otimista: acredita que, em menos de uma década, uma bateria de novas armas estará disponível para o público. Essa não é a única novidade na guerra contemporâ­nea contra as alergias alimentares. Novos métodos de diagnóstico estão prestes a entrar no mercado, inclusive no Brasil, e a ciência a cada dia entende um pouco mais os mecanismos que levam nosso corpo a reagir contra alimentos que deveriam nos fazer bem, e, por algum motivo, põem em risco nossa saúde.

Uma das chaves para encontrar uma cura para as alergias é a pesquisa genética. A ciência ainda não é capaz de responder por que, numa mesma família, algumas pessoas têm mais ou menos pre­disposição ao problema. Luiz Guilherme, o menino que abre esta reportagem, tem uma irmã mais velha, Emanuelly, de 6 anos, que não sofre de alergia alimentar, mas tem rinite, uma doença alérgica. A mãe, Dennise, tem tosse alérgica, e o pai, Fernando, diz sofrer alterações na pele quando ingere camarão e lagosta.

Os pesquisadores acreditam que as al­terações do ambiente onde vivemos têm um papel fundamental no desenvolvi­mento das alergias. A chamada “hipótese da higiene” diz que, no ambiente urba­no moderno, quase asséptico, diminui a exposição a micro-organismos como vermes, bactérias e vírus e, consequen­temente, caem as infecções. A relação en­tre a higiene e a alergia não foi, contudo, confirmada por estudos epidemiológicos no Brasil. Até agora, as pesquisas não mos­traram uma diferença na taxa de casos de doenças alérgicas nas grandes cidades e em populações de vilarejos do interior.

Uma dificuldade de qualquer estudo é definir quem realmente é alérgico. De acor­do com diversas pesquisas, 20% a 25% das pessoas acreditam ter algum tipo de aler­gia. Quando um médico faz o diagnóstico, apenas 1 % a 2% dos adultos e 6% a 8% das crianças de fato têm o problema. Antes de concluir que se tem uma alergia, portanto, é preciso excluir outras hipóteses. Foi o caso da nutricionista Leticia Garcia, de 29 anos, que mora em São Paulo. Há quatro anos, depois de repetidos episódios de diarreia e constipação, Leticia recebeu o diagnóstico de “síndrome do intestino irritável’: uma condição que teria fundo emocional. No ano passado, ela voltou a ter o problema.

Desta vez, um teste sanguíneo apontou in­tolerância à lactose. Letícia tirou leite e deri­vados da dieta. Não adiantou. Ela procurou uma terceira opinião. O médico desconfiou de doença celíaca – aquela em que o intesti­no do paciente não absorve alimentos com glúten. Uma biópsia confirmou a suspeita. A intolerância à lactose, na verdade, era um efeito secundário das crises de diarreia. Agora, Leticia luta para tirar pães, massas e farinhas da dieta. “Desde o diagnóstico, não tive mais crises”, diz Leticia.

Assim como nos casos de intolerância, identificar as alergias pode ser difícil. Atual­mente, usam-se testes cutâneos – em que o alérgeno é colocado em contato com a pele – ou de sangue. Neste último, chama­do Rast, os cientistas medem a quantidade dos anticorpos IgE para certos alimentos e medicamentos. Mas ter altas doses de IgE específico para o camarão, por exemplo, não significa necessariamente alergia a camarão: são os casos chamados de “fal­sos-positivos”. Eles são comuns quando há alergias cruzadas. Uma nova técnica, cha­mada “microarray”, que usa quantidades menores de sangue para uma quantidade maior de alérgenos, espera a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser usada no Brasil.

A evolução nas técnicas de diagnóstico pode trazer esperanças para casos graves como o de Marina, uma menina de Brasí­lia hoje com 2 anos e 5 meses. Aos 20 dias de idade, Marina chorava bastante, dor­mia pouco e regurgitava muito. Mãe pela primeira vez, a servidora pública federal Rilane Santos de Sousa ficou preocupa­da e levou o bebê ao médico. O primeiro diagnóstico foi refluxo gastroesofágico, um problema comum em crianças pe­quenas. “O refluxo pode ter uma causa fisiológica, mas também pode ser causado por uma alergia”, afirma o gastropediatra Ulysses Fagundes Neto, professor do De­partamento de Pediatria da Escola Pau­lista de Medicina da Unifesp. Ao ingerir um alimento e ter cólica, a criança pode chorar muito, o que a leva a regurgitar. Outro possível sintoma é di arreia com sangue, que pode ser confundida com uma infecção intestinal. Aos 2 meses, a menina deixou de ganhar peso, e Elisa de Carvalho, médica especializada em gas­troenterologia pediátrica do Hospital de Base do Distrito Federal, suspeitou de um caso de alergia a leite. Para evitar expor a criança às proteínas do leite e da soja pelo leite materno, Elisa excluiu os alimentos da dieta da mãe. Mesmo assim, Marina não apresentou melhora. Rilane teve, en­tão, de deixar de amamentar. Passou a dar à filha uma dieta especial, com fórmula de proteína hidrolisada – mais fácil de digerir. Deu certo, mas uma tentativa de reintroduzir o leite na dieta da menina fracassou. Marina foi internada e passou a receber por sonda uma fórmula elemen­tar, hipoalergênica, só com aminoácidos, por meio de uma sonda. “Não dormíamos direito vigiando para que ela não tirasse o aparelho”, diz Rilane. Depois de 60 dias de tratamento, a própria menina rejeitou a sonda. Durante alguns meses, alimen­tou-se exclusivamente com a fórmula.

Clique para ampliar
Clique para ampliar

Sintomas relacionados à alergia alimentar

O que já se sabe

As respostas às dúvidas mais comuns sobre alergia e intolerância

1. QUANDO SUSPEITAR QUE A CRIANÇA TEM ALERGIA A ALGUM ALIMENTO?

Quando ela tem uma reação anormal – seja vermelhidão na pele, vômito, diarreia, inchaço ou dificuldade para respirar – depois de consumir algum alimento. O tipo de reação pode variar, mas acontece toda vez que a criança ingere a mesma comida, não importa a quantidade. A presença dos sintomas não é conclusiva para o diagnóstico, que só pode ser feito pelo médico. Um episódio de diarreia pode se dever a uma simples intoxicação alimentar.

“A história clínica é muito importante para definir o diagnóstico, junto com os testes laboratoriais”, afirma a alergista Renata Cocco, pesquisadora associada da Unifesp. Para tirar qualquer dúvida, pode-se recorrer ao “teste de provocação oral”, ou seja: o paciente ingere, sob supervisão do médico, o alimento suspeito.

É alérgico mesmo? Muitos dizem ser alérgicos. Poucos realmente o são:

“20 a 25% das pessoas acham que têm algum tipo de alergia.

Depois de testes para comprovação:

1 a 2% dos adultos têm alergia

6 a 8% das crianças apresentam o problema.”

Resp.: Os sintomas relatados acima indicam a alergia “imediata”, causada por IgE, como comentado em outras páginas. Mas devemos lembrar que a grande maioria (80%) das alergias alimentares são causadas por alergias não mediadas por IgE e de sintomas tardios (horas a dias). Além disso, os sintomas que podem ser causados por alergia alimentar são bem mais extensos que os relatados. Vale a pena lembrar de alguns dos sintomas mais comuns ligados à alergia alimentar:

Sistema Gastrointestinal: Cólica. Vômito. Diarréia. Sangue nas fezes. Constipação. Gases. Colite. Náusea.

Sistema Respiratório: Nariz escorrendo. Espirros. Tosse. Congestão. Asma. Bronquite. Coceira no nariz. Sintomas de gripe. Respiração difícil.

Olhos: Olhos lacrimejantes. Olhos vermelhos. Círculos escuros. Coceira. Conjuntivite.

Sistema Nervoso Central: Irritabilidade. Perda de sono. Tontura prolongada. Dor de cabeça. Cansaço.

Pele: Eczema. Dermatite. Urticária. Vermelhidão. Coceira. Inchamento dos lábios, boca, língua e garganta.

Outros sintomas: Infecção no ouvido. Perda de peso, Suar em excesso. Baixo rendimento escolar. Dificuldade de convivência. Depressão. Choque anafilático.

2. QUAL A DIFERENÇA ENTRE “INTOLERANCIA” E ALERGIA?

De maneira geral, as alergias são provocadas por proteínas conside­radas “estranhas” pelo organismo, que decide atacá-las. Em casos raros os alérgicos podem ter reações até a simples partículas do alimento dispersas no ar. Os açúcares estão por trás da maior parte dos casos de intolerância. O tipo mais comum é a Intolerância à lactose, o açúcar do leite. A causa é uma deficiência na produção de lactase, a enzima responsável pela digestão do leite.

Presença de intolerância à lactose na população:

Europeus: 25%

Negros, indígenas e asiáticos: 80%.

Resp.: Não apenas os açúcares, mas uma grande gama de alimentos podem causar intolerância alimentar. Resumindo o texto da página “Intolerância Alimentar”, citamos alguns exemplos de alimentos que podem causar intolerância: Chocolate, tomates, espinafres, morangos, ovos, peixe, mariscos, ananás e especiarias (canela), ruibarbo, queijo, arenque, bananas, cavala, bacalhau, pimenta, nozes, vinho, couve fermentada, atum, além de corantes, aromatizantes e conservantes.

3. HÁ TRATAMENTO PARA A ALERGIA ALIMENTAR?

Não existe, hoje, uma cura. “A alergia pode não ter manifestação clínica, mas não some da memória do corpo”, afirma o médico Celso Cukier, respon­sável pelo serviço de terapia nutricio­nal do Hospital São Luiz, em São Paulo. A única maneira de evitar as reações indesejáveis é ficar longe dos alimen­tos que as provocam. Em alguns casos, principalmente em crianças. O problema pode regredir sozinho: o alérgico passa a tolerar bem aquilo que antes lhe causava problema.

“20% das pessoas alérgicas a amendoim ou a camarão adquirem tolerância posteriormente.”

“80% das crianças que têm alergia a leite superam o problema até a idade adulta.”

Resp.: A cura, para o paciente, significa “ausência de sintomas”, mesmo que ele continue com a informação gravada no seu DNA. Assim como existem muitos casos de “reversão” espontânea do quadro alérgico, existem tratamentos alternativos que podem reduzir ou até mesmo eliminar os sintomas da alergia alimentar, em especial a Homeopatia e a Lisadoterapia.

4. A PROPENSÃO A ALERGIAS É GENÉTICA OU PODE SER ADQUIRIDA DURANTE A VIDA?

“A maioria das pessoas que têm o problema apresenta histórico na família”, diz o especialista americano Hugh Sampson. A alergia pode demorar a se manifestar, mas não pode ser “adquirida” ao longo da vida porque depende da carga genética do individuo.

Resp.: A tendência à resposta alérgica é genética, pela sua característica de hiper-reatividade imunológica. Sendo assim, a propensão é permanente, mas os sintomas não; eles podem tanto aparecer em qualquer época da vida, quanto também desaparecerem sem deixar vestígios.

5. É POSSÍVEL PREVENIR O SURGIMENTO DE ALERGIAS NOS FILHOS?

Estudos mostram que amamentar só no peito até os 6 meses parece reduzir a suscetibilidade a alergias. Não há evidências de que evitar na gravidez alimentos como camarão e ovos previna alergia no bebê.

Resp.: Ver a página dedicada ao Professor Ulysses para maiores detalhes.

6. ALIMENTOS ­INDUSTRIALIZADOS TRAZEM MAIS RISCOS?

As reações adversas aos aditivos ali­mentares são raras – menos de 1% dos casos. O maior risco em relação aos ali­mentos industrializados é a rotulagem insuficiente. Um produto com traços de leite pode desencadear reações graves.

Resp.: Os alimentos industrializados possuem milhares de aditivos químicos, muitos deles alergênicos. Veja o caso do Glutamato Monossódico e do corante Amarelo Tartrazina.

7. O QUE SÃO “ALERGIAS CRUZADAS” E QUE ALIMENTOS MAIS AS PROVOCAM?

Certas alergias parecem vir acompanhadas de outras. Suspeita-se que isso se deva a semelhanças nas sequências de aminoácidos

Há cruzamentos menos evidentes, como a alergia a látex, que em 35% dos casos pode gerar também reações a frutas como: Kiwi, Abacate, Banana.

É o que acontece, por  exemplo, entre o leite de vaca e o leite de cabra. Como eles têm proteínas semelhantes, os riscos de alguém alérgico a leite de vaca também apresentar reações ao de cabra é alta: 92%. Quem tem alergia a camarão… também pode desenvolver alergia a ácaro.

É comum que, por causa dessas alergias cruzadas, os testes de sangue apontem resultado positivo para duas substâncias, mas que a pessoa só desenvolva sintomas para uma. Cerca de 50% dos testes de sangue para alergia dão um falso positivo.

Resp.: As alergias cruzadas podem não apenas criar alergias a alimentos diferentes, como também induzir a respostas imunológicas contra o próprio corpo, criando as chamadas Doenças Auto-Imunes (ver na página apropriada).

8. ALIMENTOS TRANSGÊNICOS SÃO MAIS ALERGÊNICOS?

Nenhum estudo, até agora, mostrou um risco maior de reações alérgicas pelo consumo de transgênicos. Mas a introdução de uma nova proteína na dieta das pessoas é sempre acompa­nhada do risco de reações adversas.

Resp.: Existem estudos sérios demonstrando reações alérgicas múltiplas e também graves relacionadas aos transgênicos. Mas a imprensa oficial insiste em negligenciar estas evidências. Ver este assunto na página dos transgênicos.

9. A DOENÇA CELÍACA É ALERGIA?

Apesar de ter sintomas semelhantes, como diarreias e dermatites, o mecanis­mo da doença celíaca é diferente e os mé­dicos não a consideram nem alergia nem intolerância. A doença impede a absorção do glúten presente em pães e massas.

Resp.: Este é um assunto polêmico, que vou desenvolver em outra página, específica para a Doença Celíaca. Pelo meu ponto-de-vista, a DC é, sim, uma doença alérgica do tipo II.

Entrevista com Hugh Sampson Professor de imunologia e pediatria da Faculdade de Medicina Mount Sinai, em Nova York:

O seu grupo está tentando desen­volver uma vacina contra alergia a amendoim, que pode ser a base para outras vacinas similares. Em que fase está esse estudo?

Hugh Sampson – Bem mais lento do que eu imaginava. A vacina está na fase 1, a que chamamos de teste de segurança com pessoas. Esperamos completá-la no próximo ano, quando começaremos a fase 2, que deverá comprovar a eficácia da vacina. Isso deverá levar mais alguns anos. Depois ainda há as fases 3 e 4. Infelizmente, ainda serão alguns anos pela frente.

O que podemos esperar do conhe­cimento científico sobre alergia no futuro próximo?

Sampson – Acho que vamos conseguir tratar o problema. Ainda vamos precisar de alguns anos até que as soluções es­tejam disponíveis para todos. Gostaria que fosse menos de uma década, mas não é improvável pensar nesse prazo.

Que conselho o senhor daria aos pais que querem prevenir as alergias alimentares em seus filhos?

Sampson Não temos estudos que mostrem se o melhor caminho é dar alimentos mais cedo ou aguardar. O que podemos fazer é encorajar as mães a amamentar nos primeiros meses de vida. Todo o resto não está comprovado cientificamente.

[1] Leticia Sorg – Revista Época, Nº 589 – 31 de agosto de 2009.

29 Responses to ““Alergia a Comida” pela Revista Época”

  1. cleomir disse:

    tenho um filho que está nascendo algumas bolhas de agua na pele! e depoia espçoca virando uma ferida. gostaria de saber se é decorrente da lactose?

    estou perguntando porque um certo amigo tava com a mesma situação com a sua filha e ele descobril que ela tem alergia a lactose!

    • drpaulomaciel disse:

      O leite de vaca pode provocar duas reações orgânicas diferentes, a saber: 1. Alergia à proteína do leite; 2. Intolerância ao açúcar (lactose) do leite. Portanto, são duas doenças diferentes e por isso não existe a “alergia à lactose”, como vc citou. Se os sintomas são na pele deve ser pensada no caso da alergia e não da intolerância. Isto porque a primeira pode causar sintomas gerais no corpo, enquanto a segunda vai produzir apenas sintomas digestivos (gases, diarréia, etc.).

  2. vera disse:

    Excelente Reportagem

  3. Marli Cardoso disse:

    gostei muito das informaçoes a respeito de intolerancia ou alergia a leite.Eu peno,com isso,porque gosto muito de leite e pago alto preço quando tomo leite ,

  4. gerda disse:

    ola,sou portadora da doença celiaca descoberta a pouco tempo quando estava pesquisando intolerancia ao latex,o doente celiaco como todos sabem nao pode comer nada que tenha farinha,aveia,ou seja com glutem,e isso e compensado com outros alimentos coisa que eu nao posso fazer pois a alergia ao latex faz uma alergia cruzada com a maioria das frutas como banana,abacate,manga,tomate,sbscsxi,mamao etc e a mais inportante a mandioca,entao como podem ver minha vida nao e facil minha dieta pior ainda agora estoui fazendo um tratamento de desenssebilizaçao por que nao tem mais nada que eu possa comer e isto esta provocando muitas deficiencias,obrigado.

  5. BL disse:

    Dr. Paulo,
    Eu desde menina sou intolerante ao leite e soja. … Há 3 anos fiz uma esterectomia e a partir disso, não posso comer nada que contenha glúten, nada. (hoje estou com 47 anos)
    Não posso comer nada fora de casa, preciso me alimentar antes de sair.
    Tudo, mas tudo conten lectina de soja como conservante, é uma luta para mim. Não como nada enlatado, conservas, etc.
    Estou super estressada e está me afetando psicologicamente.

    O que eu faço???

    Att,

    BL

    • drpaulomaciel disse:

      Oi, Beths: Com os sintomas relatados (eu editei o seu comentário para preservar os seus dados, ok?) você não é “intolerante”, mas sim “alérgica” a estes alimentos. Isso porque a característica sintomática da intolerância é exclusivamente digestiva: gases, indigestão, cólica, diarréia, etc., já que o problema está relacionado diretamente com a digestão daquele alimento. Nos casos em que os sintomas são sistêmicos (veja em http://drpaulomaciel.com.br/as-medicinas/alergia-alimentar/sintomas-relacionados-com-alergia-alimentar/), a origem é alérgica, já que a resposta é sangüínea e não digestiva, ok? O nível de resposta alérgica é individual e algumas pessoas chegam a ser hiperalérgicas, onde o seu sistema imunológico resolve gerar uma guerra contra qualquer proteína estranha que entre em sua corrente sangüínea, pela hiperpermeabilidade intestinal, já típica dos alérgicos, ou disbiose intestinal.
      Quanto à Lecitina de soja, não se preocupe porque ela não causa alergia! Isso acontece porque a lecitina é uma molécula de gordura (uma mistura de glicolipídios, triglicerídeos e fosfolipídios), presente em todas as células animais, compondo uma unidade essencial da estrutura da membrana celular. As gorduras (lipídios) não causam alergia, apenas as proteínas. O único risco que ocorre aqui é que a Lecitina não seja pura, contendo traços de proteínas da soja. Mas normalmente ela é altamente purificada, já que é obtida através do óleo de soja e a partir dele é extraída através do processo de precipitação de vapor. Nesse estágio, as gomas lipídicas contêm cerca de 25% de umidade, cerca de 50% de fosfolipídeos e 25% de óleo de soja. As gomas são secas em vácuo até cerca de 65% do teor de fosfolipídeos.
      O que eu recomendo à você é que faça uma avaliação com um médico que compreenda bem estes processos alérgicos e lhe dê tratamentos adequados. Existem muitas alternativas terapêuticas que podem ser usadas, além da alopatia. Abs.

  6. Denise disse:

    Boa tarde,
    Hoje estou com 27 anos e desde bebê, minha mãe tem uma grave preocupação por eu não comer. É mais fácil contar nos dedos os alimentos que como do que os que não como.
    Quando eu era bebê, minha mãe me amamentou apenas quarenta dias, devido a reingestão de anticoncepcional para evitar uma gravidez, então a partir dai ela começou a introduzir em minha alimentação leite da padaria ou leite em pó. Aos quatro ou seis meses, passou para as sopinhas, mas segundo ela, eu fazia um tremendo escândalo e não comia nada e quando comia vomitava. A preocupação a levou a me levar em diversos pediatras que davam dicas de como fazer a introdução desses alimentos, porém ela não tinha sucesso, qté que um pediatra disse a ela para me dar o que eu gostava e que quando eu crescesse, passaria a comer. Os anos se passaram e eu só me alimentava com leite com Neston, danone, bolachas de sal, maizena e de chocolate, comia sardinha e frango, também gostava de chá. Passsou-se um pouco mais de tempo e comecei a comer pão com margarina torrado na frigideira, tomar café, comer arroz, diz minha mãe que foi um milagre de Deus. Aí já na adolescência comecei a comer batata frita e milho cozido. O que for diferente, nem adianta tentar, eu vomito na certa.
    Já sei que não sou uma pessoa normal, mas queria saber se eu tenho uma doença ou não.
    No Aguardo,

    Denise.

    • Denise:
      Se o seu único sintoma é o vômito, muito provavelmente não é causado por alergia alimentar, porque você teria outros sintomas, além do que os alimentos que você aceita bem são os que dão alergia na maioria dos casos (leite, gluten, cacau, café, e milho).
      Portanto, isto deve ser um condicionamento que deveria ser investigado e tratado por linhas terapêuticas como a EFT, uma linha simples e eficaz para reprogramar o seu subconsciente, ok?
      Abs.

      • Cássia disse:

        boa tarde! gostaríamos de saber qual tipo de exame é necessario para diagnosticar se meu filho tem alergia alimentar. pelo amor de Deus me ajuda . desde de ja o agradeço. Deus o abençoe .

        • Cássia:

          Em primeiro lugar, faça todos os exames de sangue de todos os RAST múltiplos :

          fx1 (Amendoim, avelã, castanha-do-Pará, amêndoa e coco)
          fx2 (Peixe, camarão, mexilhão e atum)
          fx3 (Trigo, aveia, milho, gergelim e trigo negro)
          fx5 (Clara de ovo, leite de vaca, bacalhau, trigo, amendoim e soja)

          A partir disto, fazer os RASTs individualizados para os múltiplos que deram positivo:

          f1 = Clara de ovo; f25 = Tomate; f77 = Betalactoglobulina; f2 = Leite de vaca; f26 = Carne de porco; f78 = Caseína; f3 = Bacalhau; f27 = Carne de vaca; f79 = Glúten; f4 = Trigo; f31 = Cenoura; f80 = Lagosta; f7 = Aveia; f33 = Laranja; f83 = Carne de galinha; f8 = Milho; f35 = Batata; f92 = Banana; f9 = Arroz; f37 = Coco; f93 = Chocolate (cacau); f12 = Ervilha; f44 = Morango; f202 = Castanha de caju; f13 = Amendoim; f47 = Alho; f207 = Marisco; f14 = Soja; f48 = Cebola; f208 = Limão; f17 = Avelã; f75 = Gema de ovo; f256 = Noz; f24 = Camarão; f76 = Alfa-lactoalbumina; rf287 = Feijão.

          Se nada disso der positivo, parta para a investigação das alergias tardias tipo IgG:

          http://www.alcat.com.br/
          http://www.food-detective.com.au/
          http://www.autismoinfantil.com.br/nossos-exames/exame-de-alergias-igg.html

          Por fim, a terceira alternativa é encontrar um médico ou nutricionista que faça o Vegatest e testar diretamente suas sensibilidades aos alimentos, ok?

          Abs.

  7. renata cardozo disse:

    Meu filho é portadorde deficiencia do complexo i de dna nuclear sem sintomas específicos de sindromes ja diagnosticadas e associasdo a alergia múltiplas/ mistas e intolerancia aos açúcares.
    Ele esta com oito anos de idade e já passou momentos horríveis de estado de coma e perda de funções motoras e musculares.
    Hoje, porém, ele esta estavel neurologicamente e com o erro inato sob controle, porem depois que a Danone descontinuou o pregomin que era o único alimento dele há sete anos, temos testado outras fórmulas e em todos os casos ele descompensa com sintomas de Chron e intoxicação alimentar, piora todo o seu quadro geral, já que a doença de base é uma deficiência na produção de energia celular, ou seja, o que nos faz viver.
    Nosso grande desafio hoje é encontrar uma forma dele se alimentar.
    por favor nos ajude

    • Cara Renata:
      Uma pessoa que tenha tendência genética a ser alérgica pode desenvolver alergia a qualquer proteína em qualquer época de sua vida. Basta que seu sistema imunológico reconheça alguma proteína como “alergênica”, que ele irá desencadear o conhecido processo alérgico da histamina toda vez que entrar em contato com ela. Qualquer alimento pode desencadear reação alérgica, mas leite de vaca, ovo, soja, trigo, amendoim, peixes e crustáceos são os mais envolvidos. A sensibilização a estes alimentos (formação de anticorpos IgE) depende dos hábitos alimentares da população. O amendoim, os crustáceos, o leite de vaca, clara de ovo e as nozes são os alimentos que com maior freqüência provocam reações graves (anafiláticas).
      Em relação ao que se chama de “alergia cruzada”, um alimento pode “criar” alergia a outros tipos de alimentos, mesmo que a pessoa nunca os tenha comido. Isto acontece pelo seguinte mecanismo:
      Quando o organismo reconhece uma substância como alérgica, esse processo não ocorre contra a substância inteira, mas sim contra partes dela. Essas partes – que são moléculas formadoras da substância (geralmente proteínas) – são conhecias por “epítopos”. Assim, epítopos são a menor parte da substância capaz de desencadear uma resposta imunológica. Existem epítopos comuns a várias substâncias, principalmente quando elas são da mesma espécie.
      Por exemplo, a substância látex – que é derivada de uma planta – tem epítopos que também são reconhecidos em várias frutas e legumes. Ou seja, tais frutas e legumes têm parte de suas moléculas com grande similaridade às moléculas do látex. Desta forma, quando alguém se sensibiliza ao látex e desenvolve anticorpos contra certos epítopos desta substância, tais epítopos também podem ser reconhecidos em alimentos e mesmo que a pessoa nunca tenha ingerido tais alimentos em sua vida, a primeira vez que o fizer poderá ter uma reação, até mesmo do tipo anafilática. No nosso exemplo, já se sabe que o látex pode dar alergia cruzada com pêssego, banana, kiwui, maçã, mandioca e outras frutas e legumes.
      Existem vários outros exemplos. É muito comum alergia cruzada entre fungos, entre ácaros, entre polens. O veneno de vespa pode dar reatividade cruzada com o de formiga e vice-versa. Quem tem alergia por pena pode desenvolver também ao ovo. Leite de cabra e de vaca podem ter também reatividade cruzada. Da mesma forma, pacientes alérgicos ao amendoim podem também apresentar reação ao ingerir a soja, ervilha, castanhas ou outros feijões. Enfim, há muitas situações onde o organismo se sensibiliza por um alérgeno e, por tabela, acaba tendo reação por outro.
      Lista de grupos de alimentos relacionados botanicamente sendo descritas reações alérgicas cruzadas entre os mesmos:
      •trigo, milho, centeio, arroz, cevada, aveia, bambu, pipoca, cana-de-açúcar.
      •coco, palmito, dendê, tâmara.
      •alho, cebola, alho-porro, aspargo, salsaparrilha, cebolinha.
      •coentro, salsa, cenoura, erva-doce, salsão, aipo, cominho, anis.
      •manjerona, hortelã, tomilho, manjericão, erva-cidreira, sálvia, orégano, segurelha.
      •trigo sarraceno, ruibarbo.
      •avelã, noz, castanha.
      •feijão, soja, amendoim, grão-de-bico, ervilha, lentilha, alcaçuz, tamarindo.
      •canela, abacate, noz-moscada do Brasil, louro.
      •beterraba, espinafre, acelga.
      •mostarda, nabo, couve, repolho, rabanete, agrião, brócolis, couve-flor, couve-de-bruxelas, rábano.
      •batata-doce, inhame.
      •alcachofra, chicória, almeirão, alface, açafrão.
      •chocolate, “extrato de cola” (usado em refrigerantes).
      •pimentão, pimenta-malagueta, berinjela, tomate, batata inglesa.
      •pepino, chuchu, pepino de conserva, melancia, melão, abóbora, moranga.
      •jaca, fruta-pão, figo.
      •maca, pêra, marmelo.
      •ameixa, damasco, amêndoa, pêssego, cereja, nectarina, abricó.
      •framboesa, amora, morango, groselha.
      •laranja, limão, tangerina, cidra, lima, laranjinha japonesa.
      •manga, caju, pistache.
      •goiaba, pitanga, cravo, jabuticaba.
      Até o momento não existe um medicamento ou tratamento específico para prevenir a alergia a novos alimentos ou outras proteínas.
      Abs.

  8. MARIANA disse:

    Boa noite Dr. paulo! Tenho uma filha de quase 8 meses que amamentei exclusivamente ate os 6 meses quando comecamos a introduzir as frutas Nao fiz nenhum tipo de restricao alimentar durante o periodo de amamentacao exclusiva e ela nunca teve problemas mas por quatro vezes quando demos banana (espaçadas entre semanas) ela teve episodios de vomito com diarreia 2 horas apos a ingestao, indo inclusive uma vez para o PS para nao desidratar, o diagnostico inicial foi virose mas agora depois do quarto episodio descobrimos que ela tem intolerancia a banana. Ja introduzimos outras frutas que ela nao gosta muito a nao ser laranja e papaya e os alimentos salgados e ela nao teve problemas mas hoje demos abacate com leite e a reacao foi a mesma vomitos seguidos de diarreia, 3 horas apos a ingestao. Voce acha que ela tem alergia a estes alimentos? Existe algum teste que eu possa confirmar? Eh possivel ter somente a estes e conseguir se alimentar normalmente com os demais? Obrigada! Mariana

    • Mariana:

      Provavelmente o que ela está fazendo é algum tipo de alergia cruzada com alimentos afins e ligados a proteínas comuns também ao látex. Em relação ao que se chama de “alergia cruzada”, um alimento pode “criar” alergia a outros tipos de alimentos, mesmo que a pessoa nunca os tenha comido. Isto acontece pelo seguinte mecanismo: Quando o organismo reconhece uma substância como alérgica, esse processo não ocorre contra a substância inteira, mas sim contra partes dela. Essas partes – que são moléculas formadoras da substância (geralmente proteínas) – são conhecias por “epítopos”. Assim, epítopos são a menor parte da substância capaz de desencadear uma resposta imunológica. Existem epítopos comuns a várias substâncias, principalmente quando elas são da mesma espécie.
      Por exemplo, a substância látex – que é derivada de diversas plantas (veja a seguir) – tem epítopos que também são reconhecidos em várias frutas e legumes. Ou seja, tais frutas e legumes têm parte de suas moléculas com grande similaridade às moléculas do látex. Desta forma, quando alguém se sensibiliza ao látex e desenvolve anticorpos contra certos epítopos desta substância, tais epítopos também podem ser reconhecidos em alimentos e mesmo que a pessoa nunca tenha ingerido tais alimentos em sua vida, a primeira vez que o fizer poderá ter uma reação, até mesmo do tipo anafilática. No nosso exemplo, já se sabe que o látex pode dar alergia cruzada com pêssego, banana, kiwi, abacate, maçã, mandioca e outras frutas e legumes.
      Do ponto de vista estrutural, o látex é uma suspensão que contém partículas de hidrocarbonetos do grupo dos terpenos numa matriz aquosa. Muitas outras substâncias são encontradas no látex, como açúcares, alcalóides, protídeos, ceras, amido, cristais, taninos e resinas. Além da seringueira (Hevea brasiliensis), as plantas laticíferas incluem o guaiúle (Parthenium argentatum) e a figueira-da-borracha (Ficus elastica), que também são fonte de borracha natural; a papoula verdadeira (Papaver somniferum), de cujo látex se obtém o ópio; e a árvore-vaca (Tabernaemontana utilis), das regiões baixas da América do Sul, cujo látex pode ser bebido como leite. Do ponto de vista botânico, possui valor taxionômico, pois serve para caracterizar diversas famílias e gêneros. As moráceas (figueira, jaqueira, fruta-pão), apocináceas (mangabeira, alamanda), euforbiáceas (seringueira, leiteiro, coroa-de-cristo) e caricáceas (mamoeiro) são algumas das famílias em que a presença do látex é constante.
      Já existem laboratórios que fazem exames para alergias por IgG para 90 até 200 alimentos: No Rio, procure por: http://www.richet.com.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?tpl=home e em Curitiba, por: http://www.laboratoriosbrasil.com.br/.
      Abs.

      • Marta disse:

        Boa tarde!Dr. Paulo Maciel . me responda por favor . Que tipo de exame é necessário fazer para saber se meu filho tem alergia alimentar ? muito obrigada. Sou uma mãe desesperada.

        • Marta:

          Em primeiro lugar, faça todos os exames de sangue de todos os RAST múltiplos :

          fx1 (Amendoim, avelã, castanha-do-Pará, amêndoa e coco)
          fx2 (Peixe, camarão, mexilhão e atum)
          fx3 (Trigo, aveia, milho, gergelim e trigo negro)
          fx5 (Clara de ovo, leite de vaca, bacalhau, trigo, amendoim e soja)

          A partir disto, fazer os RASTs individualizados para os múltiplos que deram positivo:

          f1 = Clara de ovo; f25 = Tomate; f77 = Betalactoglobulina; f2 = Leite de vaca; f26 = Carne de porco; f78 = Caseína; f3 = Bacalhau; f27 = Carne de vaca; f79 = Glúten; f4 = Trigo; f31 = Cenoura; f80 = Lagosta; f7 = Aveia; f33 = Laranja; f83 = Carne de galinha; f8 = Milho; f35 = Batata; f92 = Banana; f9 = Arroz; f37 = Coco; f93 = Chocolate (cacau); f12 = Ervilha; f44 = Morango; f202 = Castanha de caju; f13 = Amendoim; f47 = Alho; f207 = Marisco; f14 = Soja; f48 = Cebola; f208 = Limão; f17 = Avelã; f75 = Gema de ovo; f256 = Noz; f24 = Camarão; f76 = Alfa-lactoalbumina; rf287 = Feijão.

          Se nada disso der positivo, parta para a investigação das alergias tardias tipo IgG:

          http://www.alcat.com.br/
          http://www.food-detective.com.au/
          http://www.autismoinfantil.com.br/nossos-exames/exame-de-alergias-igg.html

          Por fim, a terceira alternativa é encontrar um médico ou nutricionista que faça o Vegatest e testar diretamente suas sensibilidades aos alimentos, ok?

          Abs.

  9. Sou um dos seguidores do seu blog já há algum tempo e sempre achei seus posts muito bons. Carecia mesmo aprender mais sobre isso e você elaborou uma grande fonte de conhecimentos aqui. Virei seu fã e comentarei com meus amigos sobre seu blog. Continue assim!

  10. Rilane Sousa disse:

    Dr Paulo, tenho uma filha de 04 anos, chamada marina. Inclusive, é ela uma das participantes da referida reportagem da Época. Minha filha tem dificuldade de ganhar peso e agora estacionou a estatura. Ela faz uso de Neocate, de carnes de avestruz e rã.
    Quando ingere algum alimento a ela alergênico, ela perde peso, tem dor abdominal, infecção de garganta ou de ouvido e secreção no nariz.
    Tenho muita dificuldade em fazer as pessoas entenderem sua alergia, justamente porque elas acham que alergia é aquilo que dá resposta imediata.
    Ultimamente tenho andado muito preocupada, pois além da estatura está estacionando, ela apresenta o ácido úrico alto. Isso pode ter algo a ver com a alergia alimentar?
    Outra indagação: minha filha tem o disgnóstico de alergia multipla refratária. Porque então mesmo se alimentando apenas do que seu organismo tolera, perde peso rapidamente com a suspensão do neocate???
    Aguardo uma resposta.
    Obrigada
    Rilane Sousa

    • A questão do ácido úrico não está relacionada com as alergias alimentares, mas a fatores genéticos e metabólicos. O ácido úrico é um produto do metabolismo das proteínas (purinas), por ação de uma enzima, a xantina oxidase. Estas purinas estão presentes nos alimentos ingeridos e também em proteínas do nosso próprio organismo.
      O ser humano não possui uma enzima chamada uricase, encontrada nas aves, répteis e peixes, que possibilita a eliminação fácil do ácido úrico. Assim, as enzimas humanas, transformadoras das purinas, não são tão perfeitas como a uricase de outros animais e por isso a taxa dos uratos em nosso organismo está no limite da solubilidade dos uratos, que é de 6,8 mg%. Para complicar isto ainda mais, existem defeitos genéticos familiares como pequena produção da enzima xantina oxidase que, herdados, podem influir na quantidade de ácido úrico formado. Por isso investigue isto na história familiar da Marina.
      De uma maneira geral, os homens hiperuricêmicos têm o início da elevação do ácido úrico na puberdade, mas os sintomas clínicos surgem de 10 a 20 anos após. A hiperuricemia ocorre em 10 a 15% da população acima de 40 anos.
      A dieta é um item importante do tratamento do ácido úrico, mas não o único. Como sua filha tem alergia múltipla, é importante analisar se está havendo sobrecarga de algum alimento rico em purina: as carnes, miúdos (fígado, coração, língua e rins), peixes pequenos, frutos do mar como as sardinhas, arenque, anchova, mexilhão, camarão e ovas de peixes. Os caldos e ensopados devem ser evitados porque o ácido úrico é muito hidrossolúvel e quando qualquer tipo de carne é cozido em água, o ácido úrico se difunde e se concentra nos líquidos de cozimento. Certos grãos como feijão, grão de bico, ervilha, lentilha e grãos integrais têm muita purina e devem ser evitados. Para finalizar, cabe dizer que toda a dieta, por melhor que seja, só pode reduzir em 25% os valores plasmáticos do ácido úrico. Isso ocorre em aproximadamente 10 dias após o início da dieta.
      Quanto à questão da perda de peso sem o Neocate, uma das razões é que o Neocate é composto de aminoácidos elementares (unidades de construção de todas as proteínas alimentares) sem os epítopos (responsáveis pelo reconhecimento alergênico) e também enriquecido com gorduras, vitaminas e sais minerais nutricionalmente equilibrados, composição esta difícil de se obter com uma dieta restritiva como a que a Marina está sujeita. Além disso, o intestino delgado, responsável pela absorção dos nutrientes dos alimentos normalmente está muito afetado pela agressão causada pelas alergias e assim o aproveitamento nutricional dos alimentos é menor que a oferecida pelo Neocate, ok?
      Abs,escreva sempre que precisar.

  11. Christina disse:

    Dr. Paulo,
    Bom dia. Meu filho tem 2anos e 7meses. Eu dei para ele pela primeira vez, agora dia 04 de Março, pipoca quando fomos ao circo. dois dias depois ele começou apresentar um processo como se fosse alergico. Nariz escorrendo, tosse. Foi piorando até ter q entrar com corticoide e antibiotico. Logo depois de acabar estes remedios, ele teve uma crise de bronquite asmatica, teve q usar mais 5 dias de corticoide e aerolim por 7 dias. Melhorou, estava otimo. Ai na quinta passada, dia 12 de Abril, fomos ao cimena e dei para ele pipoca. Agora no sábado ele está apresentando novamente o nariz escorrendo e muita tosse. Fiquei pensando o q poderia ser. E lembrei da pipoca…será que poderia ser?! Qual o período de ingestão para aparecer os sintomas?! obrigada. Um grande abraço. Christina.

  12. Daisy Fortes disse:

    Olá, tenho 41 anos. Descobri a 8 anos q sou intolerante a lactose e a 4 anos q tenho alergia látex fruta. Devo ter sido intolerante a lactose a vida toda pelo q agora sei e talvez a alergia tenha iniciado pelo caju e tendo reação cruzada ao látex ou vice versa, o fato é q devido demora do diagnóstico passei por muitos enganos médicos q fizeram isso se agravar bastante, 2 cirugias de hérnia de hiato, 18 nos olhos p estabilizar a pressão intraocular cujo glaucoma me levou a cegueira, e agora sei q tenho aumento grande de pressão intracraniana a cada crise, e q tais cirurgias só me expuseram ainda mais ao látex das luvas. Tenho tido cerca de 3 crises anafiláticas por mês e não sei mais c o q me alimentar, pois ainda ha a preocupação c as contaminações nos processos industriais inclusive dos remédios, pois todos laboratórios me referem o uso das luvas. Se souber de qualquer informação q possa me ajudar na orientação medicamentosa e nutricinal fico muito grata, pois está muito complicado mesmo com 40mg diárias de corticóde, 120mg nas crises+ adrenalina 3 x por mês em média. Att,

    • Daisy:

      A alergia ao látex é uma reação alérgica desencadeada pelo contato ou exposição a produtos derivados de borracha natural. Este tipo de alergia acomete cerca de 4% da população mundial. O látex é uma substância extraída da seiva da seringueira e encontrada na borracha natural e utilizado na indústria para o fabrico de inúmeros produtos, como balões usados em festas de aniversário, alguns tipos de brinquedos, chupetas e bicos de mamadeiras, luvas descartáveis, produtos hospitalares, camisinhas, materiais esportivos, etc.

      No caso das luvas, a presença do pó usualmente nelas utilizado aumenta a exposição, já que partículas do látex podem aderir ao pó. Quando estas luvas são manipuladas, estas partículas ficam em suspensão no ar, podendo atingir os olhos, nariz, ou serem respiradas e provocar sintomas alérgicos.

      Produtos contendo látex são muito comuns em ambientes hospitalares, em especial nas salas de cirurgia: aparelhos para vias aéreas (máscaras de inalação,cânulas, ambu, etc.), cateteres, luvas cirúrgicas, torniquetes, eletrodos, fitas adesivas, bandagens, drenos, borracha do sistema de soro, sondas para entubação, garrotes, etc.

      A dermatite de contato não é causada pelo látex natural e sim pelos compostos usados na industrialização da borracha, como os aceleradores e antioxidantes.
      Grupos de Risco: A alergia a látex pode se manifestar em qualquer faixa etária. Estão mais propensas, por exemplo, pessoas expostas previamente ao agente como contato com as luvas usadas pelos cirurgiões, através de uso próprio ou por ter sofrido intervenções cirúrgicas prévias. Citam-se alguns grupos mais predispostos para desenvolver a reação alérgica: * Crianças portadoras de alguns tipos malformações congênitas, * Profissionais da área de saúde, * Trabalhadores da indústria da borracha, * Pacientes submetidos a múltiplas cirurgias, * Pacientes atópicos (rinite e asma).

      Este tipo de alergia pode ocorrer de diversas formas, desde manifestações leves até casos graves e fatais. As manifestações mais comuns são: * Na pele (Dermatite de contato, Urticária, Angioedema), * No sistema respiratório (Asma, Rinite, Conjuntivite). * Em setores variados do organismo (Anafilaxia)

      Reações cruzadas com alimentos:
      Um aspecto interessante da alergia ao látex é a presença de reações cruzadas com alguns tipos de alimentos, principalmente frutas, já que o látex é um produto vegetal e contém proteínas semelhantes. Cerca de 50% dos pacientes alérgicos ao produto, o são também a pelo menos uma fruta, geralmente banana, kiwi, abacate, maracujá, manga, abacaxi ou mamão.

      O reconhecimento da alergia ao látex é feito pelo médico alergista de forma clínica, através da análise da história do paciente. Além disso, os testes cutâneos e a detecção da alergia no sangue irão complementar e confirmar o diagnóstico. O tratamento é feito através de medicações para corrigir os sintomas apresentados pelo paciente. Recomenda-se o afastamento do contato com o látex, embora seja muito difícil devido ao grande número de produtos contendo esta substância. Em alguns casos, a imunoterapia poderá ser útil.

      Medidas preventivas:
      – Reduzir o contato com o látex.
      – Usar luvas sem látex e sem talco (Ex : Luvas de Silicone )
      – Substituir o látex por outros materiais polímeros sintéticos
      – Existem camisinhas de borracha sintética que poderão ser indicadas pelo médico.

      Abs.

  13. Débora disse:

    Boa tarde,
    ao pesquisar sobre alergias e intolerânçias, dei com esta reportagem, bastante informativa, tenho uma pequena duvida, tenho uma menina com 29 meses e agora começou com umas borbulhas principalmente no tronco e algumas na cara, por enquanto, não tem nenhum outro sintoma, febre etc, as borbulhas são palpáveis ao tacto e um pouco vermelhas, pequenas, ela não comeu nada de novo que não tivesse comido até aqui, poderá ser reação alergica/intolerante?
    Obrigada

    • Débora:

      Uma das áreas mais difíceis de se fazer diagnóstico na medicina é a Dermatologia, porque inúmeras situações patológicas se expressam pela pele…
      Com esta descrição que você me passou eu posso que sim ou que não, qualquer resposta seria válida.
      Por isso aconselho procurar um dermatologista ou alergologista de confiança para fazer uma avaliação mais direta e investigativa, ok?

      Abs.

  14. Antonia disse:

    Minha filha de 9 anos apresenta sintomas de alergia alimentar desde uma semana de vida. Tem sido uma batalha, ela agora sofre com esofagite eosinofílica, vira e mexe toma prelone, faz o uso de flixotide e tomou singulair por muito tempo. As vezes melhora, mas agora ela esta com a contagem de eosinófilos muito alta, sua boca e lingua é toda “rachada”, e por orientação médica ela só come milho e toma Neocate. =( Muito complicado, um mistério!

    • Antonia, você a amamentou somente com leite materno por quanto tempo?
      Ela já usou outros leites hipoalergênicos, tais como: Leite Althera Nestle Health Science Fórmula Infantil Hipoalergênica; Alfare (Nestlé); Pregestimil (Mead Johnson); NutramIgEn (Mead Johnson); Pregomin e Nan H.A. PO (Proteínas Parcialmente Hidrolisadas), Nutriben Hidrolisado, Alergomed, etc.
      Ela só toma Neocate com 9 anos?

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *