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O Calendário Maia e o Fim do Mundo

Os primeiros habitantes da América Central foram grupos mongóis que teriam chegado entre 15.000 a 12.000 a.C. através do estreito de Bering. Os primeiros sinais da presença humana na Mesoamérica foram encontrados num local de abate de mamutes em Santa Isabel Ixtapan, no vale do México, juntamente com uma grande variedade de ferramentas de sílex e obsidiana, estimando-se que este local date de 7.700 a 7.300 a.C.

Embora as primeiras sociedades pré-clássicas (os primeiros grupos que abandonam o nomadismo e constroem cidades) são do ano 2.000 a.C, os arqueólogos dividem a história maia em três períodos: pré-clássico (500 a.C. a 292 d.C.), clássico (292 d.C. a 900 d.C.) e pós-clássico (900 d.C. até a conquista espanhola a partir de 1.519 d.C.).

A primeira civilização complexa conhecida na Mesoamérica é a dos olmecas, que habitaram a região costeira do golfo do México durante o período pré-clássico inicial, a partir de 1.500 a.C., com apogeu entre 1.150 e 700 a.C., e existindo até 400 a.C. Acredita-se que a cultura olmeca tenha sido a civilização-mãe de todas as civilizações mesoamericanas que se desenvolveram posteriormente. Os olmecas tinham cidades de até 2.500 habitantes e foram a primeira civilização da América a desenvolver um sistema de escrita, cujos achados arqueológicos datam de 650 a.C. e 900 a.C., precedendo a mais antiga escrita zapoteca, datada de 500 a.C. Existem também glifos mais tardios bem estudados conhecidos como epiolmecas ou ístmicos (450 a 300 a.C.) que podem, segundo alguns autores, ter sido uma transição entre a escrita olmeca mais antiga e a escrita maia. Os olmecas eram politeístas, faziam sacrifícios humanos, construíam pirâmides e jogavam futebol com bolas de borracha (o nome olmeca significa “povo de borracha”). Todos esses traços foram herdados por maias e astecas, que foram seus contemporâneos. A sua organização política baseada em reinos de cidades-estado fortemente hierarquizados foi imitada por praticamente todas as civilizações mexicanas e centroamericanas que se lhes seguiram. Alguns, como o historiador de arte Miguel Covarrubias, postulam mesmo que os olmecas terão criado também os antecessores de muitas das divindades mesoamericanas mais tardias. Além de terem inventado a bússola em 1.000 a.C., os olmecas também foram os criadores do calendário mesoamericano de contagem longa e do conceito do número zero (Um glifo com aspecto de uma concha: )! A contagem longa requeria o uso do zero no seu sistema numérico vigesimal (baseado no número 20).

A civilização maia, assim, foi uma cultura que dividiu muitas características com outras civilizações da Mesoamérica e embora não tenha criado a escrita e o calendário, os desenvolveu plenamente.

No período Pré-clássico ou Pré-dinástico dos maias [500 a.C. a 292 d.C.] os maias organizaram-se inicialmente em pequenos núcleos sedentários baseados no cultivo do milho, feijão e abóbora; eram agricultores, fabricavam cerâmica (ornamentação de cordões) e usavam pedras de moer. Agrupavam-se em aldeias e posteriormente em cidades como El Mirador e Kaminaljuyú. Desde o ano 300 a.C. percebem-se as características fundamentais da civilização Maia: Arquitetura com uma espécie de abóbada em balanço, inscrições hieroglíficas, uso de um calendário “a longo prazo” e ereção de estelas comemorativas. Durante este período, coincidentemente com o esplendor da cultura olmeca que influenciou os maias, foram realizadas as primeiras construções de pedra, os terraços e as pirâmides em Uaxactun e Yucantán. As novas cidades foram uma resposta ao crescimento demográfico sustentado, e ao fluxo de migrações permanentes em toda a Mesoamérica. Neste contexto foram fundadas Cuello e  Tikal.

Simbolicamente, os edifícios imponentes cumpriam com os objetivos da nobreza: fortaleciam a devoção aos grupos dirigentes, facilitavam a integração e a obediência de populações novas e diferentes. Tudo isso resultou na crescente concentração do poder e da riqueza.

Surgiram formas de desigualdade e divisão de castas e classes sociais. A nobreza das grandes cidades iniciou um controle territorial extenso, acompanhado da cobrança de tributos. As descobertas arqueológicas de peças de cerâmica e obsidiana permitem afirmar que as distintas cidades comercializavam entre si, desenvolviam mercados e promoviam o intercâmbio. Paulatinamente, começaram os primeiros conflitos pela hegemonia comercial e o controle das rotas da região.

Foi em Kaminaljuyú que os reis começaram a ter um aura superior: seus magníficos túmulos e a preocupação por mostrar suas origens e contar sua ascendência são claros sinais disto. El Mirador contou com os maiores templos e uma rede de caminhos que lhe permitia exercer seu domínio sobre os povos vizinhos. Juntas, El Mirador e Kaminaljuyú, foram muito maiores que suas rivais mas ambas pereceram muito rapidamente também.

Muitas outras cidades da época pré-clássica foram abandonadas, enquanto acontecia a ascensão das cidades que iriam dominar durante o período clássico (292 d.C. a 900 d.C.). Este período corresponde ao florescimento dessa civilização; os grandes centros cerimoniais (Tikal, Uaxactún, Seibal, Copán, Palenque, Uxmal, Bonampak e Chichén Itzá, entre outros) multiplicavam-se. As grandes metrópoles religiosas compreendiam edifícios típicos, templos construídos sobre uma plataforma piramidal, cobertos por uma espécie de abóbada em balanço e encimados por uma crista com cumeeira; palácios e conjuntos monumentais monolíticos, composto de um altar com estela ornada de uma decoração esculpida. Nunca reunidos sob hegemonia de um poder central, cada cidade conservou um estilo individual.

Durante o período preclássico (100 a.C.) o rei Yax Ehb’Xook inaugurou uma dinastia que governaria até o fim dos anos 800 d.C.. Cada vez mais poderosos, os reis de Tikal foram elevados ao nível de deuses (K’uhul ajaw), e ordenaram a construção de uma gigantesca acrópole onde seriam enterrados em suntuosos túmulos. O poder de Tikal estendeu-se por quilômetros abarcando várias cidades da região.

O rival mais importante de Tikal foi Copán, cuja historiografia é conhecida desde aproximadamente 321 a.C. na era pré-clássica e até 822 d.C. Copán teve também reis deuses, uma acrópole monumental e poder sobre as cidades vizinhas. Tamanha ostentação de poder augurava guerras: Tikal apoderou-se de Copán em 420 d.C.. Pouco depois Calakmul invadiu Tikal e lhe causou enormes danos. A rivalidade continuou e em 695 Tikal conseguiu se apoderar de Calakmul. A glória de Tikal iria perdurar poucos anos, em 889 a dinastia acabou e a cidade ficou abandonada. De fato todas as cidades clássicas ficaram abandonadas por volta do ano 900. No entanto o ciclo de ascenção e decadência de novas cidades não acabaria aqui. Durante o fim do clássico, Chichen Itza destacaria-se como uma das cidades maias mais brilhantes.

Chichen Itza foi fundada por povos não originários da península de Yucatán e por isso eram chamados de Itza: “aqueles que falam nossa língua de forma entrecortada”. Chichen Itza representou várias revoluções na cultura maia, em primeiro lugar deixou de considerar a seus reis como seres superiores, e os chamou simplesmente ajaw (senhores), de certa forma democratizou o governo incluindo conselhos de consulta. No campo da economia, diversificou as fontes de ingressos e chegou a ter uma produção pré-industrial com uma ampla rede de distribuição de seus produtos. Por último, diferenciou-se das outras culturas maias introduzindo o culto a K’uk’ulkan, a serpente empenada conhecida pelos mexicanos (astecas) como Quetzalcoatl. A cultura Itza dominou a região norte da península de Yucatán por dois séculos, entre 850 e 1.100 d.C.e foi a última a se submeter ao poder espanhol em 1697.

Não podemos esquecer neste período da história maia antiga a Palenque, que produziu uma das mais longas dinastias e uma das cidades mais fastuosas e densamente habitadas. Sua origem data do ano 200 a.C. e, como as outras cidades do período clássico, brilhou por volta de 600 d.C. para ficar completamente abandonada no fim dos anos 900.

A queda dos grandes centros maias não deteve a aparição de novas cidades durante o chamado período pós-clássico (900 d.C. até a conquista espanhola), como Mayapán na península de Yucatán ou as da ilha de Cozumel. Também cresceu muito fortemente a região do lago Petén (Guatemala) estendendo-se sobre Belize. As terras altas sofreram importantes mudanças, a cidade de Kaminaljuyu foi completamente abandonada depois de 2.000 anos de ocupação e novos centros foram fundados, esta vez mais protegidos, o que indicaria aumento da violência. Crônicas maias como o Popol Vuh relatam a chegada às terras altas de príncipes originários da mítica cidade de Tollan, para fundar novas dinastias. Isto seria um indício da expansão para o sul das culturas da Costa do Golfo. Em 1.350 os K’iche conseguiram controlar a região central onde fundaram várias cidades (Iximche, Utlatan, etc). A população voltou a aumentar em número e a economia a florescer incrementando os intercâmbios comerciais.

Uma questão importante a ser analisada nestes contextos é que a cultura maia teve sua história em um longo período de 2.000 anos, intercambiando conhecimentos com outras culturas locais (olmecas, zapotecas, epiolmecas, mixtecas, yucatecas, etc.) e que nunca houve uma civilização maia unificada. E que nesta dinâmica, muitas de suas crenças e valores foram se modificando e se adaptando ao longo dos séculos.

Afinal, quais eram as crenças dos maias?

Os maias acreditavam na contagem cíclica natural do tempo e seus rituais e cerimônias eram associadas a ciclos terrestres e celestiais que eram observados e registrados em calendários separados. Os sacerdotes maias tinham a tarefa de interpretar esses ciclos e fazer um panorama profético sobre o futuro ou passado com base no número de relações de todos os calendários. A purificação incluía jejum, abstenção sexual e confissão. A purificação era normalmente praticada antes de grandes eventos religiosos. Os maias, assim como a maioria dos xamãs do mundo, acreditavam na existência de três planos principais no universo: a Terra, o céu e o submundo.

Os maias sacrificavam humanos e animais como forma de renovar ou estabelecer relações com o mundo dos deuses. Esses rituais obedeciam a diversas regras. Normalmente, eram sacrificados pequenos animais, como perus e codornas, mas nas ocasiões muito excepcionais (tais como adesão ao trono, falecimento do monarca, enterro de algum membro da família real ou períodos de seca) aconteciam sacrifícios de humanos. Acredita-se que crianças ou mulheres virgens eram muitas vezes oferecidas como vítimas sacrificiais porque os maias acreditavam que essas eram mais puras.

Recentemente descobriu-se que os maias faziam sacrifícios sangrentos, com direito a cerimônias em que as vítimas eram arremessadas vivas dentro de poços. Além disso, era comum na época que os sacerdotes arrancassem o coração das pessoas ainda batendo ou as esfolassem para vestir suas peles. Toda essa carnificina tinha uma explicação simbólica: os maias acreditavam que o homem faz parte de uma terceira geração de seres humanos, feita a partir do milho. As duas anteriores, construídas com barro e depois com madeira, teriam sido destruídas por dilúvios, um de água e outro de lava. Para evitar destino parecido, era preciso agradar os deuses constantemente com oferendas valiosas – e nada era mais valioso que o sangue humano.

Os maias acreditavam que os deuses habitavam diferentes camadas celestes. Haveria ainda outros deuses, moradores dos mundos subterrâneos. Essas divindades não eram exclusivamente boas ou más, mas algumas ajudavam mais os seres humanos que outras. Ah Puch, por exemplo, é o temível deus da morte, e Camazotz, com sua forma de morcego, é um de seus demônios. No lado mais amistoso do panteão, Chaac é o responsável pelas chuvas, e o deus em forma de cobra Gucumatz é responsável pela criação de novos seres.

Os sacerdotes maias possuíam diversos livros escritos em finas folhas de madeiras cobertas com gesso. Grande parte da dificuldade que temos atualmente para compreendermos a cultura maia ocorreu pelo fato de que os padres espanhóis resolveram destruir os livros maias para evitar a divulgação de sua cultura. O bispo de Yucatán, D. Diego de Landa, ordenou a apreensão e a queima de centenas de volumes de livros chamando isso de um “auto-de-fé”. Além disso determinou que a utilização daquela “escrita demoníaca” fosse punida com a morte. Esse mesmo bispo quando retornou à Espanha, escreveu um relatório intitulado Relacion de las Cosas de Yucatán, em 1566, para justificar sua ação repressiva. Informou que os livros continham descrições de cerimônias diabólicas e sacrifícios humanos. O relatório ficou esquecido até 1863 até que foi descoberto pelo sacerdote Charles Etienne Brassuer, que era interessado nas culturas pré-Colombianas. Este permitiu saber o sistema utilizado pelos maias para a elaboração do calendário e seus numerais.

Salvaram-se daquela destruição apenas 4 livros, 3 conhecidos há muito tempo e um que apareceu após a segunda guerra mundial. Os livros tratavam de idolatrias que envolviam sacrifícios entre outras práticas similares. Os 3 livros conhecidos eram: 1. O Popol Vuh (ou Livro do Conselho dos índios quiché) relata os mitos da criação da Terra, as aventuras dos deuses gêmeos, e a criação do primeiro homem; 2. Os livros de “Chilam Balam” também contêm informação sobre a mitologia maia, geralmente descrevem as tradições desta cultura e 3. As Crônicas de Chacxulubchen, que é outro texto importante para a compreensão da mitologia maia.

O Popol Vuh

O termo Popol Vuh, comumente traduzido do idioma quiché como “livro da comunidade”, é um registro documental da cultura maia, produzido no século XVI (acredita-se que o manuscrito original do Popol vuh tenha sido escrito por volta de 1544 mas permanece perdido até os dias atuais), e que tem como tema a concepção de criação do mundo deste povo.

Este documento foi traduzido para o castelhano pelo frei Francisco Jiménez em 1688, e encontra-se hoje em Chicago, na Biblioteca Newberry. Em 1861, Charles Étienne Brasseur de Bourboung baseou-se em uma tradução de Carl Scherzer e publicou em francês o texto com o nome de Popol vuh.

Como os maias eram divididos em diversas tribos, faz-se necessário saber que, embora boa parte do conto fosse aceito majoritariamente no território maia, existiam especificidades entre as tribos e regiões e que o Popol Vuh é a história da criação dos índios quiché.

Deve-se levar em conta, também, que não apenas o Popol vuh, mas outras narrativas indígenas da Mesoamérica sofreram forte influência cristã durante o período colonial. Em aspectos gerais, os cronistas responsáveis pela compilação da cosmogonia maia atrelaram a ela valores e códigos que faziam sentido apenas à cultura cristã. Em certos trechos do Popol vuh, é possível notar semelhanças com o discurso bíblico. Dessa forma, os mitos de criação e o próprio entendimento dos deuses mesoamericanos se perderam dentro da interpretação europeia dos escritos indígenas. Portanto, sobre os escritos “catequizados”, é mais legítimo encará-los como a visão colonizadora da cosmogonia maia do que propriamente como este povo estruturava suas crenças. É importante ressaltar que, para o povo maia, não necessariamente o conceito de “deus” era o mesmo que para os espanhóis, que tinham sua visão religiosa como universal.

O texto aborda questões sobre a criação do mundo, dos homens e dos animais, segundo a tradição maia. A primeira parte refere-se a origem do mundo e a vitória dos gêmeos Hunahpú e Ixbalanque sobre os Senhores do Inframundo. A segunda parte aborda desde a criação do milho até a presença dos quichés na América Central.

Antes de iniciar a história da criação do mundo, o texto diz que “havia uma preexistência, composta de calma, silêncio e imobilidade”. Existiam apenas o céu e o mar, onde estavam o Criador, o Formador, Tepeu, Gucumatz ou Quetzalcoatl, os Progenitores e Huracán, também chamado de Coração do Céu. A narrativa da criação se inicia quando Tepeu e Gucumatz decidem criar o homem. Os deuses criam, então, o mundo e o que nele está presente, a natureza e os animais. Como os animais, apesar de dotados de voz, eram incapazes de adorar seus criadores, foram amaldiçoados. É neste momento que também é criado o primeiro homem, feito de lama, porém este se desmanchava e não possuía entendimento do mundo, deste modo também não podia adorar aos deuses, e por isso foi destruído.

No segundo momento da criação, os deuses consultaram os adivinhos Ixpiyacoc e Ixmucané, que lançaram a sorte com grãos de milho, e orientaram que o novo homem fosse feito de madeira. Assim os deuses fizeram. Os homens de madeira se multiplicaram e dispersaram, porém, assim como o homem de lama, não foram capazes de invocar seus criadores, e por isso foram destruídos em um dilúvio de resina. Os sobreviventes tornaram-se macacos.

Em um terceiro momento da criação (ou no próprio segundo momento, dependendo da fonte), a narrativa ocupa-se em relatar a história dos gêmeos Hunahpú e Ixbalanque, que despertaram a atenção dos Senhores do Inframundo, e estes, incomodados com o comportamento dos homens, decidiram transformá-los em peixes. Os gêmeos, por fim, atiram-se em uma fogueira e transformam-se no Sol e na Lua. Na quarta e última idade abordada pelo Popol vuh, uma nova tentativa de criação ocorre, desta vez utilizando milho como matéria prima. Os homens feitos de milho tomaram ciência de si e então deram graças aos seus deuses criadores. Esta é a origem da atual humanidade, e explica a criação dos povos que habitavam a Mesoamérica.

De forma simplificada, podemos descrever as quatro idades narradas pelo Popol vuh desta maneira:

1ª idade: No início havia calma, silêncio e imobilidade. Os deuses decidem, juntos, criar o homem. Antes disso, criaram as árvores, a vida e os animais. Os últimos, apesar de terem sido dotados de voz, não foram capazes de invocar os deuses, e por isso foram punidos, que passariam a ter suas carnes servidas de alimento. Foi criado então, do lodo, o homem, mas estes se desmanchavam facilmente e eram incapazes de louvar os deuses, que em consequência destruíram-nos.

2ª idade: Os deuses consultaram os adivinhos Ixpiyacoc e Ixmucané para criar um homem que pudesse invocá-los, e a indicação obtida foi fazê-los de madeira. Os homens de madeira povoaram a terra, mas possuíam sequer alma ou entendimento, portanto não podiam invocar seus criadores. Foram destruídos com um dilúvio, e os sobreviventes tornaram-se macacos.

3ª idade: Epopeia dos Gêmeos. Os Gêmeos tornam-se o Sol e a Lua.

4ª idade: Criação dos homens de milho, que se tornaram a atual humanidade. Estes possuíam percepção do mundo e invocaram seus criadores, que lhes concederam limites mortais, para que não ameaçassem a soberania dos deuses.

Já os livros maias de Chilam Balam, designados pelos nomes de localidades iucatecas como Chumayel, Mani e Tizimin, são geralmente coleções de textos díferentes nos quais as tradições espanholas e maias se agregaram. Os maias iucateques atribuíam estes livros a um autor lendário chamado Chilam Balam, sendo um chilam um sacerdote que fornecia oráculos. Alguns dos textos consistem mesmo de oráculos sobre a chegada dos espanhóis ao Iucatã e mencionam um chilam Balam como seu primeiro autor. A tradição estendeu esta autoria de forma a abranger todos os textos díspares encontrados num determinado manuscrito.

Os textos tratam sobretudo de história (tanto pré-hispânica como colonial), calendários, astrologia e ervas medicinais. Escritos em língua maia iucateca (em escrita europeia), os manuscritos são oriundos dos séculos XVII e XIX, embora muitos dos textos que acabaram por ser incluídos nestes livros datem do tempo da conquista espanhola. Assume-se que nos livros mais antigos, o elemento profético fosse mais proeminente,

Enquanto que os textos médicos são bastante fatuais, os textos históricos e astrológicos são realmente esotéricos. Em várias passagens destes textos surgem pequenos fragmentos de informação importantes sobre a antiga mitologia. Além do seu valor intrínseco, os textos históricos (ou crónicas) são particularmente importantes pois estão construídos com base no calendário maia (ainda que com algumas adaptações ao sistema de calendário europeu) e contêm antigas previsões para períodos tun e baktun. A tentativa de reconstrução da história iucateca pós-clássica a partir destes dados provou ser uma tarefa árdua.

Deuses

Segundo historiadores e demais estudiosos do período colonial, o Popol vuh e outras fontes contendo narrativas religiosas dos indígenas americanos apresentam o mesmo problema quando analisadas: a posição dos deuses e divindades mesoamericanos foi moldada a partir de visões cristãs de importância e hierarquia, o que teria provocado uma distorção sobre a real importância que os maias concediam a cada deus, ou mesmo como este povo concebia a noção de divino.

Alguns Personagens divinos: Quetzalcoatl ou Gucumatz (Deidade de papel central na criação das diversas humanidades, em especial a atual. À época da chegada dos espanhóis na América, era um deus reconhecido por boa parte das tribos mesoamericanas). Ixpiyacol e Ixmucané (são interpretados como adivinhos e guias espirituais dos maias. consultados para a segunda criação dos homens, sugerem que estes sejam feitos de madeira, após lançarem a sorte com grãos de milho). Huracán e Tepeu (Ao lado de Gucumatz, deuses iniciais da narrativa maia. Huracán (Coração do Céu), Tepeu e Gucumatz ou Quetzalcoatl (progenitores que estavam na água rodeados de claridade e sob plumas verdes e azuis), juntos, decidiram criar o mundo, as coisas nele presentes e a humanidade. Hunahpú e Ixbalanque (Gêmeos que perturbaram os senhores do Inframundo e, após se lançarem em uma fogueira, tornaram-se o Sol e a Lua).

Três primeiros deuses criadores

Estes realizaram a primeira tentativa da criação do homem a partir da lama, no entanto em breve viram que seus esforços desembocaram no fracasso, já que suas criações não se sustentavam por ser um material muito suave. 1. Gugumatz: Na mitologia maia é o deus das tempestades. Achou vida por meio da água e ensinou aos homens a produzir fogo. É conhecido também por: Gucamatz, Cuculcán ou Kukulkán. 2. Huracán: Em linguagem maia, Huracan significa “o de uma só perna”, deus do vento, tempestade e fogo. Foi também um dos treze deuses criadores que ajudaram a construir a humanidade durante a terceira tentativa. Além disso provocou a Grande Inundação depois que os primeiros homens enfureceram aos deuses. Supostamente viveu nas neblinas sobre as águas torrenciais e repetiu “terra” até que a terra emergiu dos oceanos. Nomes alternativos: Hurakan, Huracán, Tohil, Bolon Tzacab e Kauil. 3. Tepeu: Na mitologia maia, foi deus do céu e um dos deuses criadores que participou das três tentativas de criar a humanidade.

Os sete segundos deuses criadores

Estes deuses que realizaram a segunda tentativa de achem ao homem a partir da madeira, mas este não possuía nenhuma alma: Alom; Bitol – Deus do céu. Entre os deuses criadores, foi o que deu forma às coisas. Participou das duas últimas tentativas de criar a humanidade; Gucamatz; Huracán; Qaholom; Tepeu; Tzacol.

Os treze últimos deuses criadores

Se podem encontrar referências aos Bacabs nos escritos do historiador do Século XVI Diego de Landa e nas histórias maias colecionadas no Chilam Balam. Em algum momento, os irmãos se relacionaram com a figura de Chac, o deus maia da chuva. Em Yucatán, Chan Kom se refere aos quatro pilares do céu como os quatro Chacs. Também acredita-se que que foram deuses jaguar, e que estão relacionados com a apicultura. Como muitos outros deuses, os Bacabs eram importantes nas cerimônias de adivinhações, e eram consultados a respeito de grãos, clima e até a saúde das abelhas, uma vez que eram deuses da apicultura também.

Os Senhores de Xibalbá

Xibalbá é o perigoso inframundo habitado pelos senhores malignos da mitologia maia. Se dizia que o caminho para esta terra estava infestado de perigos, era escarpado, espinhoso e proibido para os estranhos. Este lugar era governado pelos senhores demoníacos Vucub-Camé e Hun-Camé. Os habitantes de Xibalbá eram treze: Hun-Camé; Vucub-Camé; Xiquiripat; Chuchumaquic; Ahalpuh; Ahalcaná; Chamiabac; Chamiaholom; Quicxic; Patán; Quicré; Quicrixcac e Kinich-ahau.

Além disso, temos ainda os principais deuses maias Yucatecos eram: Hunab Kú (principal deus para os maias, era o deus criador de tudo); Itzamná (senhor do céu, da noite e do dia, era filho de Hunab Kú), Kukulkán (deus do vento), Kinich Ahau (deus do Sol), Ixchel (deusa da Lua, das inundações, da gravidez e do tecido), Chaac (deus da chuva), Wakax Yol K’awil o Nal (deus da agricultura), Ah Puch (deus da morte e do inframundo), Yum kaax (deus da guerra), Xaman Ek (Estrela do Norte), Ixtab (deusa do suicídio), Ek Chuah (deus protetor dos comerciantes e do cacau) e Kakupakat (deus da guerra).

Depois de toda esta viagem pelo mundo místico dos maias, vamos voltar à questão principal de nossos questionamentos: o calendário maia!

Para falarmos de calendários temos que abordar a questão do tempo que o mesmo mede e registra. Diferente de nossa concepção atual, o tempo para os maias não era linear (evoluindo eternamente do passado para o futuro), mas circular, se repetindo em ciclos intermináveis! Este conceito chama-se Najt e é representado graficamente por uma espiral. Os maias acreditavam assim que conhecendo o passado e transportando as ocorrências para idêntico dia do ciclo futuro, os acontecimentos basicamente se repetiriam, podendo-se deste modo prever o futuro e exercer poder sobre ele. Por esta razão, a adivinhação era a mais importante função da religião dos maias. Tanto é assim, que a palavra maia usada para designar seus sacerdotes, tem origem na expressão “guardião dos dias”.

Os maias estabeleceram um “dia zero”, que segundo alguns arqueólogos corresponde ao dia 12 de agosto de 3113 a.C., que provavelmente se trata de uma data mítica. A partir deste dia os ciclos se repetiam, dominando nosso conceito de linearidade: podiam acontecer coisas diferentes nas datas anteriores de cada período de vinte ou cinquenta e dois anos, mas cada sequência era exatamente igual à outra, passada ou futura. Por isso os livros sagrados dos maias eram simultaneamente textos de história e de predição do futuro e em suas perspectivas o passado, o presente e o futuro estavam em uma mesma dimensão. Assim diz o Livro de Chilam Balam: “Treze vezes vinte anos, e depois sempre voltará a começar”.

O tempo é redondo

Graças à exatidão do calendário, o mais perfeito entre os povos mesoamericanos, os maias eram capazes de organizar suas atividades cotidianas e registrar simultaneamente a passagem do tempo, historiando os acontecimentos políticos e religiosos que consideravam cruciais. Entre os maias, um dia qualquer pertence a uma quantidade maior de ciclos do que no calendário ocidental. O ano astronômico de 365 dias, denominado Haab, era acrescentado ao ano sagrado de 260 dias chamado Tzolkin. Este último regia a vida da “gente inferior”, as cerimônias religiosas e a organização das tarefas agrícolas. O ano Haab, e o ano Tzolkin formavam ciclos, ao estilo de nossas décadas ou séculos, mas contados de vinte em vinte, ou integrados por cinqüenta e dois anos. Eles estabeleceram um “dia zero”, que segundo os cientistas corresponde a 12 de agosto de 3113 a.C. Não se sabe o que aconteceu, mas provavelmente esta se trata de uma data mítica. A partir deste dia os ciclos se repetiam. Entretanto, a repetição dominava a linearidade. Podiam acontecer coisas diferentes nas datas anteriores de cada período de vinte ou cinquenta e dois anos, mas cada sequência era exatamente igual à outra, passada ou futura.

Assim diz o Livro de Chilam Balam: “Treze vezes vinte anos, e depois sempre voltará a começar”. A repetição cria problemas para traduzir as datas maias ao nosso calendário, já que fica muito difícil identificar fatos parecidos de seqüências diferentes. A invasão tolteca do século X se confunde nas crônicas maias com a invasão espanhola que ocorreu 500 anos depois. Por isso, os livros sagrados dos maias eram simultaneamente textos de história e de predição do futuro. Na perspectiva maia, passado, presente e futuro estão em uma mesma dimensão. Por outro lado, os historiadores contemporâneos recorrem às profecias maias para conhecer episódios do passado desta sociedade, com a profecia se expressando como uma forma de memória.

Na verdade, os maias não tinham apenas UM calendário, mas pelo menos quatro!

Os maias utilizavam apenas o sistema vigesimal para contar os objetos porém este sistema é modificado para contar os dias. Em um sistema vigesimal puro cada lugar de um número está ocupado por um número de 0 a 19 e este número se entende que deve ser multiplicado por 20. Ao contar os dias, porém, o calendário maia utiliza um sistema posicional, em que o primeiro lugar tem um valor de 1, o segundo lugar teria um valor de 20, porém o terceiro lugar não tem um valor de 400 (20 x 20) mas de 360 (18 x 20). O valor das cifras maiores continua regularmente assim: 7.200 (20 x 18 x 20); 144.000 (20 x 20 x 18 x 20), etc.

Assim como o nosso calendário gregoriano dá nome para os períodos de tempo (“semana” = 7 dias), o calendário maia também conta com nomes para períodos que constam de 20 dias, 360 dias, 7.200 dias, etc., de acordo com seu sistema vigesimal modificado de contar os dias. Um dia é denominado como “Kin”; vinte Kines fazem um “Uinal”; 18 uinales fazem um “Tun”; 20 tuns fazem um “Katun” e 20 katuns formam um “Baktun”. Desta forma a equivalência seria:

1 kin       =  1 dia

1 uinal     = 20 kins   = 20 dias

1 tun       = 18 uinais = 360 dias

1 katun     = 20 tuns   = 7.200 dias

1 baktun    = 20 katuns = 144.000 dias

Os números tinham grande significado na cultura maia. Por exemplo, o número 20 significa o número de dedos que uma pessoa possui  (10 dedos nas mãos e 10 dedos nos pés). O número 13 se refere às juntas principais do corpo humano por onde se acredita que as doenças entravam para atacar a pessoa (um pescoço, dois ombros, dois cotovelos, dois pulsos, dois quadris, dois joelhos e dois calcanhares). O número 13 também representava os níveis do paraíso onde os deuses reinavam sobre a Terra. A relação entre estes dois números (13 e 20) provavelmente originou o calendário mesoamericano mais antigo de todos, o Tzolk’in, já que os dois números multiplicados dão 260. Outra teoria é que o período de 260 dias vem da duração da gestação humana. Este número é próximo do número médio de dias entre o primeiro período menstrual perdido e o nascimento, diferente da Regra de Naegele (a gestação dura em média 40 semanas ou 280 dias, mas pode se estender 15 dias ou se adiantar 15 dias) entre a última menstruação e o nascimento. É postulado que as parteiras teriam desenvolvido originalmente este calendário para prever as datas de nascimento dos bebês.

Uma terceira teoria vem do entendimento da astronomia, geografia e paleontologia. O calendário mesoamericano provavelmente se originou com os olmecas,em um assentamento que existia em Izapa, no México, antes de 1.200 a.C.. Lá, a uma latitude de cerca de 15ºN, o Sol passa pelo zênite duas vezes por ano, e existem 260 dias entre as passagens no zênite.

O calendário Tzolk’in de 260 dias é considerado “sagrado” e lunar, usado para as funções religiosas em função do qual se marcavam as cerimônias religiosas, se fazia a adivinhação das pessoas e se encontravam as datas propícias para seus atos civis. Assim que nascia uma criança, os maias as apresentavam aos sacerdotes que, em função do dia do nascimento, adivinhavam a futura personalidade da criança, seus traços marcantes, suas propensões, habilidades e dificuldades, analogamente ao horóscopo mesopotâmico e à astrologia atual.

Já o calendário maia com ciclo equivalente a um ano solar era chamado Haab, e tinha ordinariamente 18 meses de 20 dias (360 dias seguidos de cinco dias considerados nefastos para a realização de qualquer empreendimento). Também adotavam um dia extra a cada quatro anos, como ocorre em nosso atual ano bissexto e seu uso era mais afeto às atividades agrícolas, de economia e de contabilidade, notadamente na prescrição das datas de plantio, colheita, tratos culturais e previsão dos fenômenos meteorológicos. Era o calendário das coisas e das plantas e é muito parecido com o calendário gregoriano que utilizamos atualmente.

Os astrônomos perceberam que 360 dias não eram suficientes para que o Sol completasse o seu ciclo. Eles argumentaram que o calendário deveria seguir o ciclo o mais próximo possível a fim de se obter uma precisão. Entretanto, os matemáticos maias não percebiam dessa maneira. Eles queriam manter as coisas mais simples, em conjuntos de 20, assim como o seu sistema matemático. Os astrônomos e os matemáticos finalmente concordaram com os 18 uinals, com cinco “dias sem nomes” chamados de wayeb. O wayeb, ou uayeb, é considerado um “mês” de cinco dias e é conhecido por ser uma época muito perigosa. Os maias acreditavam que os deuses descansavam durante esse período, deixando a Terra desprotegida. Os maias realizavam cerimônias e rituais durante o wayeb na esperança de que os deuses retornassem novamente.

Ciclo de Vênus

Outro calendário importante para os maias era o ciclo de Vênus. Os maias eram astrônomos hábeis, e podiam calcular o ciclo de Vênus com extrema precisão. Existem seis páginas no Códex de Dresden (um dos códices maias) devotadas ao cálculo preciso da ascensão heliacal de Vênus. Os maias conseguiram atingir tal precisão por observação cuidadosa ao longo de muitos anos. Existem várias teorias sobre porque o ciclo de Vênus era especialmente importante para os maias, incluindo a crença de que estava associado com a guerra e que era usado para adivinhar bons períodos (chamada astrologia eletiva) para coroações e guerras. Os governadores maias planejavam o início das guerras quando Vênus ascendia. Os maias possivelmente também registravam os movimentos de outros planetas, incluindo Marte, Mercúrio, e Júpiter.

Acontece que nem o calendário tzolk’in e nem o calendário haab contavam mais do que um ano. Os maias queriam registrar a história e decidiram criar um calendário que os daria um período maior do que um ano. Na época, o ciclo de calendário foi o mais longo da Mesoamérica. Os historiadores da época, entretanto, queriam registrar a história maia para as gerações futuras. Eles queriam um calendário que os levaria através de centenas ou até milhares de anos. Surge então o calendário de “contagem longa”.

A duração do calendário de contagem longa é chamada de o Grande Ciclo e é o grande motivo de todo este celeuma, tendo aproximadamente 5.125,36 anos.

Como as datas da roda calendárica só podem distinguir 18.980 dias, equivalentes a cerca de 52 anos solares, o ciclo se repete aproximadamente uma vez em uma vida humana comum, e portanto o calendário de contagem longa se tornou um método mais refinado para manter datas para registrar a história de forma mais precisa. A mais antiga inscrição em contagem longa já descoberta encontra-se na estela 2 de Chiapa de Corzo no México, indicando a data correspondente a 36 a.C..

contagem longa é um calendário vigesimal não repetitivo, utilizado por várias culturas da Mesoamérica a partir do período pré-clássico tardio. É mais bem conhecido pelos registos maias nos quais foi usado este sistema, porém as inscrições mais antigas são aquelas de Chiapa de Corzo, anteriores à era cristã. A sua ampla difusão na área maia levou a que muitas vezes seja erradamente denominado como calendário maia de contagem longa.

O nome maia para dia era k’in. Vinte destes k’ins são conhecidos como um winal ou uinal. Dezoito winals fazem um tun. Vinte tuns são conhecidos como k’atun. Vinte k’atuns fazem um b’ak’tun.

O calendário da contagem longa identifica uma data contando o número de dias desde a criação maia, 4 Ahaw, 8 Kumk’u (11 de agosto de 3.114 a. C. no calendário gregoriano ou 6 de setembro no calendário juliano). Mas em vez de usar um esquema de base 10 (decimal), como a numeração ocidental, os dias da contagem longa eram registradas em um esquema de base 20 modificado. Assim, 0.0.0.1.5 é igual a 25 (5 dias/kins + 20 dias/uinais) e 0.0.0.2.0 é igual a 40 (2 x 20 dias/uinais).

Como a unidade uinal reinicia ao chegar a 18, a contagem longa usa a base 20 consistentemente só se o tun for considerada a unidade primária de medida, não o k’in, com o k’in e uinal sendo os números de dias em um tun. A contagem longa 0.0.1.0.0 representa 360 dias (18 uinais), em vez de 400 em uma contagem de base 20 pura.

Assim, para encontrar a data do calendário de contagem longa correspondente a qualquer data gregoriana, você vai precisar contar os dias a partir do início do último grande ciclo. Mas, determinar quando o último ciclo começou e combiná-lo com uma data gregoriana é um desafio e tanto. O antropólogo inglês Sir Eric Thompson se encarregou de determinar a data, pesquisando a Inquisição espanhola para auxiliá-lo.

O resultado ficou conhecido como a Correlação Thompson. Os eventos da Inquisição foram registrados no calendário maia de contagem longa e no calendário gregoriano. Os estudiosos então reuniram datas que combinavam em ambos os calendários e as compararam com o Código Dresden, um dos quatro documentos maias que sobreviveram à Inquisição. Alguns textos dizem que esse código confirmou a data há muito tempo tida por Thompson como sendo o início do grande ciclo atual: 13 de agosto de 3.114 a.C. E fechando este Grande Ciclo, chegamos a 2012! Mais precisamente, a 21 de dezembro de 2012!

Mas se o tempo para os maias não era linear e sim circular, o que fez as pessoas acreditarem que 2012 seria o “Fim do mundo”?

Esta longa história começa com um tal Códice Tró-Cortesiano, que segundo minhas fontes, encontra-se conservado na Espanha e divide-se em duas partes. A primeira parte, o Códice Troano, foi lido pelo abade de Bourbong, que acreditou ter conseguido desvendar a chave dos hieróglifos maias e a história da destruição de Atlântida, sendo que uma parte do povo teria conseguido escapar e formado a civilização maia. O manuscrito foi escrito por volta de sec, XII ou XIII e se tratava de astronomia e astrologia.

Dentre as pessoas que leram as descrições do bispo, um arqueólogo e diplomata norte-americano se interessaram muito sobre a Atlântida e sobre as teorias do abade de Bourbong: Edward Herbert Thompson (1857-1935).

Ele completou seus estudos e utilizou a influência da família para conseguir ser nomeado cônsul no bispado de Yucatán. Despertou interesse especial por Chichén-Itzá. Ela foi construída por volta de 415 e abandonada um século depois por razões desconhecidas e ocupada novamente por volta do ano 1000.

Durante o Novo Império foram construídos edifícios dedicados a divindades oriundas da região dos toltecas e que exigiam constantes sacrifícios humanos. Edward Thompson explorou os edifícios em melhor estado de conservação.

Inspirado pelos livros do abade de Bourbong e de John Lloyd Stephens (1805-1852), outro diplomata e escritor americano. Stephens foi uma figura central na investigação da civilização maia e no planejamento da linha de trem do Panamá e dedicou grande parte de sua carreira ao estudo da civilização maia. Em 1879, a revista Popular Sciente publicou um artigo no qual Thompson argumentava que os monumentos maias eram evidência da existência da Atlântida. O artigo atraiu a atenção de Stephen Salisbury III, um barão das ferrovias e benfeitor da Sociedade de Antiguidades Americanas, que motivou Thompson a se mudar para Yucatán para explorar as ruinas. O senador George Frisbie Hoar aceitou ajudar a Thompson e o recomendou para o posto de consul dos EUA no Yucatán. Stephens escreveu diversos livros sobre as suas viagens, inclusive dois sobre a Mesoamerica: Incidents of Travel in Central America, Chiapas and Yucatán, Vols. 1 & 2 (1841) e Incidents of Travel in Yucatán, Vols. 1 & 2 (1843). As obras de Stephens serviram inclusive de inspiração ao escritor americano Edgar Allan Poe.

Nesta mesma época Ignatius Loyola Donnelly (1831 – 1901), também escritor e político americano, defendeu a existência da Atlântida, no livro “Atlântida, um mundo antediluviano” (1882). No livro “O grande criptograma” (1888), defendeu a tese de que as obras de William Shakespeare, foram escritas por Sir Francis Bacon. Escreveu vários outros livros, tais como “Ragnarok”: The Age Of Fire And Gravel” (1886). A obra sobre a Atlântida foi citada por Helena P. Blavatsky, e alcançou 31 edições na América, Inglaterra e França.

Thompson chegou a Mérida em 1885 e desde então passou 30 anos de sua vida em Yucatán, onde aprendeu o espanhol rapidamente e conseguiu falar a língua maia fluentemente.

Apesar de ter publicado o livro People of the Serpent (New York: Capricorn Books, 1932), Thompson entrou em descrédito para os arqueólogos, pois achava que a civilização maia e egípcia por serem tão parecidas eram descendentes de uma mesma civilização: a Atlântida e os arqueólogos tradicionalistas até hoje não aceitam posições que admitam a existência de Atlântida.

Mas Edward estava interessado mesmo em encontrar o poço citado no livro de D. Diogo de Landa. Chichen-Itzá possui 3 grandes poços naturais (cenotes) e outros menores. Após examina-los, decidiu se concentrar no da extremidade da cidade, por um motivo: para lá se dirigia uma estrada calçada que vinha desde a praça central da cidade. Sua circunferência é de 60 m e a profundidade de 25m. Durante vários dias só retirou madeiras podres e entulhos. No nono dia apareceu bastões resinosos que ele deixou secarem ao sol e depois incendiou-os: eram incensos de aromas embriagadores. Mais adiante, encontrou facas de pedra, pontas de lanças, tijolos de cerâmica e pedra, joias, adereços humanos e, por fim, ossos humanos. Os esqueletos eram de mulheres jovens, pois eles costumavam fazer oferendas de virgens. Apenas um esqueleto masculino foi encontrado junto aos das mulheres. Provavelmente era um sacerdote e tivesse sido jogado ou puxado por una das vítimas.

As peças eram feitos com liga de 960 milésimos de ouro puro e alguns objetos oriundos de regiões distantes, o que fez ficar claro que eles tinham contato com as culturas ameríndias. Toda a história chegou aos ouvidos do governo e Thompson foi ameaçado de prisão. Com isso, teve de retornar ao seu país. Uma conspiração se formou para destruir os seus livros. Apenas o livro People of the Serpent se encontra nas livrarias de antiguidades. Porém, os trabalhos que fez sobre a pirâmide-túmulo Chichen-Itzá, o sarcófago e o esqueleto estão desaparecidos. Edward Thompson morreu em 1935, maldito pela ciência e esquecido por todos (com exceção dos esotéricos).

Em 1957, o astrônomo Maud Worcester Makemson escreveu que “a realização do Grande Período de 13 b’ak’tuns será da maior importância para os maias.”

Mas se relembrarmos os temas do livro Popol Vuh e do Código Dresden que narram a existência de três mundos anteriores a este, cada um destruído por anões ou “ajustadores”, responsáveis pela construção das cidades em ruínas, vamos começar a entender como se desenvolveu toda esta história apocalípitca. Naqueles livros os anões se petrificaram com o primeiro amanhecer; o segundo mundo foi habitado por “transgressores”, e terminou da mesma maneira, assim como o terceiro, povoado pelos maias. A chegada dos espanhóis aconteceu no transcurso do quarto mundo, que também seria varrido por outro dilúvio devastador, já que na mitologia do Quinto mundo, nosso planeta ainda passará pela próxima ”reencarnação do” mundo.

Assim como estes livros foram sincretismos religiosos maias e cristãos, nove anos depois da declaração de Maud, o arqueólogo, antropólogo, epigrafista e escritor americano Michael D. Coe (1929-) afirmou que o “Armageddon degeneraria todos os povos do mundo desde a sua criação, e que no dia do décimo terceiro e último b’ak’tun o universo seria aniquilado, no dia 24 de dezembro de 2012 (depois revisada para 23 de dezembro de 2012) quando o Grande Ciclo da contagem chega à sua conclusão.” Michael Coe publicou diversas obras: Breaking the Maya Code (1992); The Maya (1966); America’s First Civilization: Discovering the Olmec (1968); The True History of Chocolate (1996); Deciphering the Maya Script: What We Know and What We Don’t Know; More Than a Drink: Chocolate in the Pre-Columbian World. Desde 1995 é professor emérito de antropologia da Universidade Yale e curador emérito do Peabody Museum of Natural History, do qual foi curador entre 1968 e 1994.

Associações anteriores

A associação entre europeus e maias com a escatologia remonta à época de Cristóvão Colombo, que estava compilando um trabalho que chamou de Libro de las profecias durante a viagem de 1502 a Guanaja, uma ilha ao norte de Honduras, quando ele ouviu pela primeira vez sobre o “povo maia”. Influenciado pelos escritos de Pierre d’Ailly, Colombo acreditava que sua descoberta de terras “mais distantes” (e, por consequência, os maias) fora profetizada e conduziria ao Apocalipse. O medo do fim dos tempos eram disseminados durante os primeiros anos da colonização espanhola como resultado de previsões astrológicas populares na Europa sobre um segundo dilúvio para o ano de 1524.

No início dos anos de 1900, o estudioso alemão Ernst Förstemann interpretou a última página do código de Dresden como uma representação do fim do mundo com uma inundação cataclísmica. Ele fez referência à destruição do mundo e a um Apocalipse, mas não falou sobre o 13º baktun em 2012 e não era claro se ele estava se referindo mesmo a um evento futuro. Suas ideias foram repetidas pelo arqueólogo Sylvanus Morley, que parafraseou diretamente Förstemann e acrescentou suas próprias afirmações, escrevendo: “Finalmente, na última página do manuscrito, é descrita a Destruição do Mundo. Aqui, de fato, é retratado com um toque gráfico o cataclisma todo-envolvente final” na forma de um dilúvio. Estes comentários foram, depois, repetidos no livro de Morley, The Ancient Maya, que teve sua primeira publicação em 1946.

Objeções

As previsões apocalípticas de Coe foram repetidas por outros estudiosos até o início da década de 1990. Entretanto, mais tarde, pesquisadores disseram que, embora o final do 13º b’ak’tun talvez seja um motivo de comemoração, não marca o final do calendário. ”Não há nada em qualquer profecia maia, asteca ou da antiga Mesoamérica que sugira que eles profetizaram qualquer tipo de grande ou súbita mudança em 2012”, diz o estudioso dos maias Mark Van Stone. “A noção de que um “Grande Ciclo” vai chegar ao fim é uma invenção completamente moderna.” Em 1990, os estudiosos maias Linda Schele e David Freidel argumentaram que os maias “não conceberam que isso seja o fim da criação, como muitos sugeriram.” Susan Milbrath, curadora de Arte e Arqueologia Latino-Americana no Museu de História Natural da Flórida, declarou: “nós não temos nenhum registro ou conhecimento de que [os maias] pensavam que o mundo chegaria ao fim” em 2012. “Para os antigos maias, isso era uma grande celebração que seria feita até o fim de um ciclo”, diz Sandra Noble, diretora executiva da Fundação para o Avanço dos Estudos Mesoamericanos em Crystal River, Flórida, Estados Unidos. A escolha de 21 de dezembro de 2012 como o dia de um evento apocalíptico ou de um momento cósmico de mudança, diz ela, é “uma completa invenção e uma chance de lucro para muitas pessoas.” ”Haverá um novo ciclo”, diz E. Wyllys Andrews V, diretor do Instituto de Pesquisas Mesoamericanas da Universidade de Tulane, em Nova Orleans, Louisiana. “Nós sabemos que os maias pensavam que houve um antes, o que implica que eles estavam confortáveis com a ideia de um outro depois.”

Crenças da Nova Era

Muitas afirmações sobre o ano de 2012 fazem parte de uma coleção não-codificada de crenças da Nova Era sobre a cultura maia quanto à espiritualidade. O arqueoastrônomo Anthony Aveni afirma que, embora a ideia de “equilíbrio do cosmos” tenha sido destaque na literatura maia, o fenômeno 2012 não vem dessas tradições. Em vez disso, ele está relacionado com conceitos americanos, como o movimento da Nova Era, o milenarismo e o ocultismo.

Os temas encontrados na literatura sobre 2012 incluem a “desconfiança em relação à cultura ocidental dominante”, a ideia de evolução espiritual e a possibilidade da entrada da humanidade na Nova Era por cada indivíduo ou por uma consciência de grupo. Em geral, a intenção dessa literatura não é avisar sobre o perigo iminente, mas “promover a contra-culturas simpatias e eventualmente ativismo sócio-político e espiritual”. Aveni, que estudou comunidades Nova Era e SETI ( Busca por Inteligência Extraterrestre), descreve as narrativas sobre 2012 como produto de uma sociedade “desconectada”: “incapaz de encontrar respostas espirituais para as grandes questões sobre a vida dentro de nós mesmos, voltamo-nos para fora a entidades imaginárias, que estão longe no espaço ou no tempo — sendo essas as únicas que estaríam na posse de um conhecimento superior”.

Origens

Em 1975, o fim do 13º b’ak’tun tornou-se objeto de especulação por parte de vários autores da Nova Era, que afirmaram que o evento corresponderia a uma “transformação de consciência” global. Em Mexico Mystique: The Coming Sixth Age of Consciousness, o escritor americano Frank Waters vinculou a data de 24 de dezembro de 2011 a astrologia e às profecias dos Hopis, enquanto José Arqüelles e Terence McKenna, autores de The Transformative Vision e The Invisible Landscape, respectivamente, discutiram a importância do ano 2012 e fizeram referência a 21 de dezembro de 2012.

Eu conheci pessoalmente José Argüelles – nascido Joseph Anthony Arguelles (24 de janeiro de 1939 – 23 de Março de 2011) e fiz alguns cursos sobre o Calendário Maia com ele, além de ter trabalhado alguns anos com a Bússola Galática.

Ele foi o fundador da Rede Arte Planetária e da Fundação para a Lei do Tempo. Como um dos criadores do conceito do Dia da Terrao, Argüelles fundou o primeiro Festival da Terra em 1970, em Davis, Califórnia . Argüelles foi mais conhecido por seu papel de liderança na organização da Convergência Harmônica de 1987 e por inventar o Encantamento dos Sonhos, no qual 1987 é o primeiro ano.

Entre outros livros, José Argüelles escreveu: O Fator Maia: Caminho além da tecnologia (1987), Surfistas do Zuvuya: Contos de viagem interdimensional (1989) e  Manifesto pela Noosfera: O próximo estágio na evolução da consciência humana (2011).

Para Argüelles o mundo inteiro deveria fazer duas grandes mudanças: 1. Substituir o ano solar gregoriano pelo ano maia de 13 meses de 28 dias lunares e 2. Substituir o dinheiro por escambo. Se estas duas transformações não acontecessem até o 21/12/2012, dizia ele, a humanidade não sobreviveria.

Em uma entrevista, ele respondeu:

Qual é a diferença entre calendário Maya e o calendário das 13 Luas?

“O Calendário Maya tradicional (indígena) mantém aquilo a que se chama de contagem Longa, a contagem de dias (1,872,000) entre 3113 AC até 21 Dezembro, 2012. O calendário das 13 luas baseia-se num dos 17 calendários mayas, o Tun Uk, e sincroniza-se com a medida 13:20, tzolkin ou módulo harmónico. Mas o calendário das 13 luas não é um dos calendário mayas. É um calendário universal. Por exemplo, por mais de 5500 anos, os indígenas dos Andes utilizavam um calendário 13 luas/28 dias e também os druidas de Inglaterra, entre outros. É pela sua universalidade os próprios reformistas do calendário o preferem.

Finalmente, outro ponto importante. O calendário 13 luas toma como o seu Ano Novo um dia que corresponde ao 26 de Julho. No passado, para os egípcios e mayas, este día celebrava-se porque neste dia produzia-se a conjunção da grande estrela Sirio e o Sol nascente.. Portanto, este dia reporta-se a um facto cósmico pelo qual o Calendário das 13 luas que utilizamos hoje é também uma parte integral de uma nova revelação do tempo a que se chama “Encantamento do Sonho”. Por esta razão, não devemos confundi-lo com o Calendário Maya tradicional, porque o Calendário das 13 luas tem por propósito uma demonstração da ordem sincrónica da 4ª dimensão, ou seja, uma revelação da Lei do Tempo.”

A linguagem de Arqüelles era complexa e cheia de nomes e termos enigmáticos como “Kuxan Suum”, “Banco Psi”, “raiz vibratória cósmica”, “câmara interdimensional no núcleo cristalino da Terra”, “transdução ressonante”, “subcampo morfogenético chamado baktun”, entre outros.

Segundo ele, o principal calendário utilizado pelos maias era o Tzolkin, que significa Contagem Sagrada dos Kin. Os Kins são unidades, representam um dia, um sol, qualquer entidade completa, uma pessoa. O Tzolkin é uma matriz da constante galáctica de 260 unidades (20 selos e 13 tons), isso é uma frequência de tempo.

Segundo o calendário maia de José Argüelles, o meu kin era:

Kin 246, Enlaçador de Mundos Cristal Branco

Eu dedico-me com o fim de igualar

Universalizando a oportunidade

Selo o armazém da morte

Com o tom cristal da cooperação

Eu sou guiado pelo poder do infinito

“Coloco ordem nas coisas e nunca abandono minha tarefa, pois sempre há alguém em algum lugar que pode ajudar-me.”

Apesar de tudo isso, e por isso mesmo, continuo fazendo a minha parte… Rs

Em 1983, com a publicação da tabela de correlações de datas de Robert J. Sharer (1940 – 2012, arqueólogo americano, acadêmico e pesquisador dos maias) revista na quarta edição de The Ancient Maya, todos se convenceram de que 21 de dezembro de 2012 tinha um significado importante. Em 1987, o ano em que ele organizou o evento de convergência harmônica, Arguelles usou a data 21 de dezembro de 2012 em The Mayan Factor: Path Beyond Technology. Ele alegou que em 13 de agosto de 3113 a.C. a Terra começou a passagem através de um “feixe de sincronização galáctica” que emanava do centro da galáxia, que esse feixe iria passar através da Terra durante um período de 5.200 tonéis (ciclos maias de 360 dias cada) e que este feixe resultaria em “sincronização total” e “arrastameno galáctico” dos indivíduos “plugados com a bateria eletromagnética da Terra” por 13.0.0.0.0 (21 de dezembro de 2012). Ele acreditava que os maias haviam alinhado seu calendário para corresponder com esse fenômeno. Anthony Aveni Francisco (1938 – ), antropólogo, astrônomo e escritor rejeitou todas estas idéias. Ele tem uma palestra que dá para assistir pela internet, intitulada “O Fim dos Tempos: o Mistério Maya de 2012”.

Alinhamento planetário

Não há nenhum evento astronômico significativo relacionado à data de início do calendário de contagem longa. Porém, segundo a literatura da Nova Era, a data final do calendário está ligada a fenômenos astronômicos de uma grande importância para a astrologia. O principal desses eventos é o conceito de “alinhamento planetário”.

Misticismo

Especulações místicas sobre a precessão dos equinócios e a proximidade do Sol em relação ao centro da Via Láctea apareceu pela primeira vez em Hamlet’s Mill (1969) por Giorgio de Santillana e Hertha von Deschend. Esses foram citados e complementados por Terence e Dennis Mackenna em The Invisible Landscape (1975). O significado de um futuro “alinhamento galáctico” foi observado em 1991 pelo astrólogo Raymond Mardyks, que afirmou que o solstício de inverno se alinharia com o plano galáctico em 1998/1999, escrevendo que um evento que “só ocorre uma vez a cada 26 mil anos seria de extrema importância para os principais astrólogos antigos”. Bruce Scofield observa que “a travessia da Via Láctea no solstício de inverno é algo que tem sido negligenciado pelos astrólogos ocidentais, com algumas exceções. Charles Jayne fez uma referência muito antes sobre isso, e na década de 1970, Rob Hand mencionou isso em suas falas sobre precessão, mas não se aprofundou no tema. Ray Mardyks mais tarde falou sobre isso e depois John Jenkins, eu e Daniel Giamario começamos a falar sobre isso”.

Partidários da ideia, seguindo a primeira teoria proposta por Munro S. Edmonson, alegam que os maias basearam seu caledário em observações dos Great Rift e Dark Rift, um conjunto de nuvens na Via Láctea, aos quais, de acordo com alguns estudiosos, os maias chamaram de Xibalba be ou “Estrada Negra”. John Major Jenkins afirma que os maias tinham conhecimento de onde a elípitica cruzava a Estrada Negra e deram a essa posição no céu um significado especial em sua cosmologia. De acordo com Jenkins, a precessão irá alinhar precisamente o Sol com o equador galáctico no solstício de inverno de 2012. Jenkins afirmou que os maias anteciparam esta conjunção e celebraram isso como o prenúncio de uma profunda transição espiritual para a humanidade. Os defensores da hipótese da Nova Era com o alinhamento galáctico argumentam que, assim como a astrologia utiliza as posições de estrelas e planetas para prever acontecimentos futuros, os maias fizeram seu calendário com o objetivo de prever eventos significativos para o mundo. Jenkins atribui as percepções dos antigos xamãs maias sobre o centro da galáxia para o uso de cogumelos alucinógenos, sapos e outras comidas psicodélicas. Jenkins também associa Xibalba be com uma “árvore do mundo”, com base em estúdios contemporâneos da cosmologia maia.

Outro escritor famoso em relação ao apocalipse maia é o astrônomo e escritor belga Patrick Geryl, que escreveu nove bem documentadas obras sobre o tema (“O Código de Órion – o fim do mundo em 2012?”; “Cataclisma Mundial em 2012″ e “Como Sobreviver a 2012″ entre outros). Suas teorias são bastante populares e deram origem ao filme “2012”. Geryl afirma em O Código de Órion através de cálculos e profecias, que o campo magnético da Terra se inverterá, o que fará o planeta girar ao contrário. Como consequência, as placas tectônicas se erguerão, o céu se tornará vermelho, o ar ficará irrespirável, terremotos e maremotos destruirão o que encontrarem pela frente. A Europa e os Estados Unidos, ou seja os países do Equador “pra cima”, imergirão em um ambiente polar.

Na introdução deste livro, Geryl escreve:

“A motivação que me impulsionou a escrever este livro foi a irritação, a desesperança e a frustração. O sonho de minha vida se destruiu com uma série de descobrimentos que apontam a uma iminente catástrofe mundial, de fato, a maior da história da humanidade. Nunca antes esteve a Terra tão densamente povoada, portanto, este será um desastre sem comparação. Quando me inteirei, fiquei destroçado e profundamente comovido, sem poder conciliar o sonho durante noites inteiras e isto começou a reger e dominar minha vida inteira. Depois de tudo, esta estava prolixamente planejada até agora; passei anos seguindo uma dieta de frutas e verduras que me faria chegar à idade de 120 anos, investi em vários recursos de pensão para poder me aposentar sem problemas de dinheiro, então poderia desfrutar de 60 anos de minha vida! E tudo isso com uma boa saúde. Os que leram meus livros anteriores sabem do que estou falando. As provas realizadas em animais demonstraram claramente que isto é possível, que sua expectativa de vida aumenta entre um 30 e 100 por cento quando se alimentam com uma dieta sadia. Como não podia ignorar este fato, decidi fazer o mesmo. A possibilidade de me aposentar rico e viajar pelo mundo era uma ideia extremamente atrativa para mim. Então, meu sonho se fez pedaços. De acordo com o livro The Mayan Prophecies [As profecias maias], a Terra se destruirá em 21 ou 22 de dezembro de 2012. As conclusões do livro pareciam corretas, embora o autor só revelou uma pequena parte. Segundo os maias, o magnetismo do Sol dará volta esse dia, causando provavelmente um tombo na Terra, com fatais consequências para a humanidade. Senti-me profundamente consternado. Um enorme desastre nos aguardava, um sem igual. Primeiro me paralisei e logo amaldiçoei e insultei com todo meu coração. Depois de tudo, logo podia cobrar minhas aposentadorias no ano 2015! Faz vinte anos assinei esta cláusula de não fazer efetiva nenhuma soma antes da data de vencimento. Dessa maneira, a importância a pagar se incrementaria e eu poderia ter uma vida de luxos por décadas. Estava completamente convencido de que fizera um excelente negócio. Mas isso aconteceu antes de ler esse livro em particular.”

Ou seja, tudo o que Geryl vem fazendo diz respeito à sua própria sobrevivência pessoal. Em seu sonho delirante de sobrevivência, ele aparece como um novo Noé, em um navio preparado para a grande catástrofe com 4.000 passageiros e centenas de mulheres jovens para “repovoar a terra”:

No navio Atlantis, isolado com plástico contra as correntes de indução e os campos magnéticos, podia ouvir uma voz por sobre as restantes. Era a minha: “Estimados amigos, a hora da verdade chegou, estivemos nos preparando durante anos para este dia, e agora está aqui. A Terra se desabou em uma feroz e desconhecida tormenta magnética e toda conexão com o mundo exterior desapareceu. Agora não saberemos o que acontece, o que sabemos é que dentro de pouco, a crosta terrestre se desconectará e causará uma catástrofe mundial. Não temos certeza de que vamos sobreviver, mas temos possibilidades se a onda gigantesca não for muito alta e o oceano não se abre por causa de um maremoto. Agora tomem todos seus assentos ou se dirijam a seu camarote e se assegurem o melhor possível contra os golpes que o navio receberá. Recordem que não devem comer e podem beber o menos possível; se forem ao banho enquanto o navio está lutando contra as ondas, podem chegar a machucar-se seriamente. Se conseguirmos aguentar este dia, então o pior terá passado; esperemos o melhor. Asseguro-lhes que será bom viver no novo mundo que iremos começar”.

Enquanto isso, no navio Atlantis, tudo estava disposto. Os quase 4.000 passageiros que se cotaram anos atrás para esta viagem de sobrevivência, estavam mais que alertas. Observavam muito de perto o que ocorria. O navio pesava mais de 100.000 toneladas e estava completamente cheio de mantimentos, roupa e fornecimentos energéticos. Contava com um sala de cirurgia e também com um consultório odontológico. Todos luziam roupa de estréia, tinham suas dentaduras em excelentes condições, trouxeram óculos de repouso e demais. Depois do cataclismo, passaram anos, antes de que a civilização começasse a funcionar outra vez. No começo, tudo estava racionado porque a onda gigantesca podia chegar a destruir virtualmente todos os fornecimentos de mantimentos do mundo. Também havia algumas galinhas a bordo, um par de cabras e alguns poucos animais mais. Muitos outros, assim como plantas, sementes e aparelhos estavam em outro navio cargueiro alugado com este propósito. Também se achavam centenas de jovens mulheres a bordo, às quais lhes devotaram umas férias grátis a bordo de um cruzeiro, com a intenção de que elas se ocupassem de repovoar o mundo. Elas sabiam e deram seu consentimento para viajar nestes dias específicos. A gente nunca sabe. Seguro que não lamentaram.

O único medo de Geryl é que as usinas atômicas não sejam desativadas a tempo e se rompam todas juntas, tornando impossível a vida humana na Terra depois deste cataclismo nuclear:

Como já o particularizei várias vezes em meu livro, este desastre mundial pode significar o fim da humanidade, senão conseguir fechar a tempo os projetos nucleares. Espero que haja suficiente quantidade de pessoas inteligentes para concluir com êxito esta investigação, do contrário, a maior das catástrofes ameaça apagando todos os vestígios da humanidade para sempre.

Um último argumento contra este apocalipse maia em 2012 veio ainda este ano, no 10 de maio, quando a Descoberta de um ‘novo’ calendário maia desmentiu a teoria do fim do mundo:

Uma equipe de pesquisadores dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (10) a descoberta do calendário maia mais antigo documentado até o momento. A descoberta desmonta a teoria nada científica dos que preveem o fim do mundo em 2012, com base no calendário maia. Essa teoria se baseia na existência de 13 ciclos no calendário maia, conhecidos como “baktun”. Porém, os novos dados mostram que o sistema possui, na verdade, 17 “baktun”. “Isto significa que há mais períodos que os 13 (conhecidos até agora)”, ressaltou o arqueólogo David Stuart, da Universidade do Texas-Austin, um dos autores do artigo publicado pela revista “Science”. Ele apontou que o conceito foi “manipulado”, e disse que o calendário maia continuará com seus ciclos por mais milhões de anos. As pinturas encontradas em paredes de ruínas da cidade de Xultún, na Guatemala, foram feitas no século 9. O calendário documenta ciclos lunares e o que poderiam ser ciclos planetários, explicaram Stuart e seu colega William Saturno, da Universidade de Boston.

A escrita pintada no que seria um templo são vários séculos mais antigos que os “códices maias”. Esses livros escritos em papel de crosta de árvore eram os registros escritos mais antigos da cultura maia e foram produzidos por volta do século 13.

Os autores indicam que o objetivo de elaborar esses calendários, segundo os estudos realizados a partir dos códices maias encontrados previamente, era o de buscar a harmonia entre as mudanças celestes e os rituais sagrados, e acreditam que essas pinturas poderiam ter tido o mesmo fim.

“Pela primeira vez, vemos o que podem ser registros autênticos de um escrivão, cujo trabalho consistia em ser o encarregado oficial de documentar uma comunidade maia”, assinalou William Saturno. Em sua opinião, parece que as paredes teriam sido utilizadas como se fossem um quadro-negro, para resolver problemas matemáticos.

De acordo com os cientistas, poderia se tratar de um lugar onde se reuniam astrônomos, sacerdotes encarregados do calendário e algum tipo de autoridade, pela riqueza na decoração das pinturas nas paredes, que também utilizaram para fazer suas anotações.

A pesquisa continua aberta para determinar de que tipo de ambiente se tratava – se era uma casa ou um local de trabalho, e se era utilizado por uma ou várias pessoas.

“Ainda nos resta explorar 99,9% de Xultún”, lembrou Saturno, que afirmou que a grande cidade maia descoberta em 1915 proporcionará novas descobertas nas décadas vindouras.

Os especialistas trataram de desmentir a errônea interpretação de que o mundo acabaria em 2012, mas ainda há quem acredite que o fim dos tempos está próximo. Agora, uma descoberta arqueológica na Guatemala encerra de vez a discussão. Escavações financiadas pela National Geographic Society revelaram o mais antigo calendário maia já encontrado. Embora alguns símbolos ainda não tenham sido decifrados, a peça apresenta previsões astronômicas, como eclipses e passagens de cometas que poderiam ser vistos da Terra, para os próximos 7 mil anos.

Os cálculos astronômicos estavam pintados na parede de uma casa, que os arqueólogos acreditam ter sido a habitação do escriba da cidade. No complexo de Xultún (região da Floresta de Petén, no Norte guatemalteco), o líder das escavações, William Saturno, da Universidade de Boston, descobriu não apenas o calendário do século 9 d.C., o que já seria uma revelação incrível, considerando que não havia, até agora, registros de “folhinhas” do período clássico (200 d.C. a 900 d.C.). Mais do que isso, porém, Saturno identificou ricas pinturas artísticas adornando as paredes, jamais vistas em outro sítio arqueológico dessa civilização.

Xultún, uma área de 30 quilômetros quadrados, foi descoberta em 1915 por um guatemalteco e mapeada pela primeira vez cinco anos depois pelo arqueólogo americano Sylavuns Morley. Na década de 1970, cientistas da Universidade de Harvard voltaram ao local e fizeram uma nova catalogação de construções arqueológicas, mas acredita-se que ainda há muito o que se descobrir no local. A estrutura descrita agora por Saturno foi identificada há dois anos por Max Chamberlain, aluno do arqueólogo, que procurava por construções engolidas pela floresta tropical. Desde então, uma equipe vem trabalhando arduamente para preservar o achado – há riscos de que, nas longas estações chuvosas, as pinturas nos murais sejam destruídas.

A casa, de acordo com William Saturno, fazia parte de um complexo residencial e há indícios de que, ao longo do tempo, foi sofrendo modificações. O ambiente mais novo é justamente onde foram descobertas as pinturas nas paredes, incluindo o calendário. Em um dos muros, os arqueólogos descobriram um grande número de pequenos e delicados hieróglifos escritos em vermelho e preto, diferentes dos padrões observados em qualquer outro sítio maia. Alguns parecem representar os vários ciclos dos calendários dessa civilização, como o de 260 dias (cerimonial), o de 365 dias (solar), o ciclo de 584 dias do planeta Vênus e o ciclo de 780 dias de Marte. “Isso é completamente diferente de tudo que já conhecíamos da cultura maia”, disse o professor de arte mesoamericana da Universidade do Texas, David Stuart, que decifrou os hieróglifos.

A área norte da casa dá acesso às demais e, em um nicho central, há o desenho de um rei sentado, usando penas azuis. “O retrato do rei implica uma relação entre quem viveu nesse espaço e a família real”, conta. Um dos números riscados na superfície provavelmente registra a data de 813 d.C., uma época em que o mundo maia havia começado a entrar em colapso.

Quanto ao fim do mundo, os especialistas reforçam que não há qualquer referência nem no calendário encontrado nem em qualquer outro já descoberto. “Os calendários maias eram baseados em ciclos de aproximadamente 130 mil anos, cada um”, explicou Aveni. “É como o odômetro de um carro. Quando atinge uma determinada quilometragem, ele zera para recomeçar. Assim funcionavam os ciclos dos maias”, disse.

Além disso, em 29/03/2011 a pedra do calendário maia que foi interpretada erroneamente como um anúncio do fim do mundo marcado para dezembro de 2012 foi apresentada em Tabasco, sudeste do México.

A peça é formada de pedra calcária e esculpida com martelo e cinzel, e está incompleta. “No pouco que podemos apreciá-la, em nenhum de seus lados diz que em 2012 o mundo vai acabar”, enfatizou José Luis Romero, subdiretor do Instituto Nacional de Antropologia e História.

Na pedra está escrita a data de 23 de dezembro de 2012, o que provocou rumores de que os maias teriam previsto o fim do mundo para este dia. Até uma produção hollywoodiana, “2012”, foi lançada apresentando esse cenário apocalíptico.

“No pouco que se pode ler, os maias se referem à chegada de um senhor dos céus, coincidindo com o encerramento de um ciclo numérico”, afirmou Romero. A data gravada em pedra se refere ao Bactum XIII, que significa o início de uma nova era, insistiu o pesquisador.

Geryl afirma que “No ano de 2012 a Terra espera por uma super catástrofe: seu campo magnético irá reverter completamente de uma vez. Fenomenais terremotos e maremotos vão destruir nossa civilização. A Europa e a América do Norte mudarão milhares de quilômetros para o norte e acabarão em um clima polar. Quase a população inteira da Terra perecerá nos eventos apocalípticos.”

A causa dessa destruição maciça? “Uma mancha solar muito grande é esperada em 2012 … quando isso acontecer … uma grande … enorme … uma explosão solar gigantesca será lançada para a Terra e irá destruir nossa civilização”.

Geryl e seu co-autor Ratinck reivindicam que eles foram capazes de ler e decifrar as partes do Códice de Dresden e que eles descobriram que os antigos egípcios e os maias eram ambos descendentes dos Atlantes!

Nesta base, Geryl e Ratinck chegaram à conclusão de que, em 2012, entre dezembro de 19 e 21, haverá uma grande erupção solar que atingirá a Terra dentro de algumas horas. Assim a Terra será cercada por uma nuvem de plasma que terá um campo magnético com uma orientação diferente da terra, e que em resposta a isto o núcleo da terra será defletido pelo campo magnético, girando sob a crosta até atingir uma orientação diferente. No entanto, uma vez que a rotação do núcleo e da crosta estariam, então, em sentidos diferentes, tremores de terra e outros fenômenos maciços ocorreriam.

Quando lhe perguntaram o que aconteceria se dezembro de 2012 viesse e passesse sem os terremotos e os tsunamis de suas previsões, Geryl ficou em silêncio e depois disse: “Eu realmente não contemplei esta possibilidade. Minhas previsões são tão espetaculares que não podem estar erradas”.

Finalizando, parece que Geryl tem sido capaz de convencer muito poucas pessoas a participar de sua comunidade de sobrevivência ou mesmo de desativarem as bombas atômicas e construírem um navio como Atlantis. Quando perguntado sobre isso em uma entrevista para o jornal belga Het Nieuwsblad , publicado em 29 de setembro de 2012, ele disse:

“Eu vou ficar em casa. Para mim, não faz mais sentido. Eu tenho diabetes. Eu sou muito fraco para durar e durar. Somente as pessoas saudáveis com idades entre 15 e 30 teriam uma chance. Com sorte, alguns vão sobreviver. Para salvar a humanidade, você realmente só precisa de dois, um homem e uma mulher.”

Assim como o mundo não acabou no século de Cristo, nem no ano 1.000 d.C., nem no ano 2.000 d.c, ou ainda no dia 13 de maio de 1980 profetizado por Roldão Mangueira, o líder religioso cearense ou em 21 de maio de 2012 previsto pelo pastor Harold Camping como o “Dia do Julgamento”, ele também não acabará em 21 de dezembro de 2012!

Quem viver, verá! Depois do Natal vou escrever porque as pessoas acreditam na ideia do Fim do Mundo.

Abraços e Feliz Natal a todos!

Fontes de pesquisa:

http://discoverybrasil.uol.com.br/guia_maia/cronologia_maia/periodo_pre_classico_maia/index.shtm

http://pt.wikipedia.org/wiki/Chilam_Balam

http://horaultima.decoelum.net/portugues/LosMayas.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Popol_Vuh

http://pt.wikipedia.org/wiki/Mitologia_maia

http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/civilizacao-maia/civilizacao-maia1.php

http://discoverybrasil.uol.com.br/guia_maia/calendario_maia/index.shtml

http://www.projetovega-ufo.com.br/novo/?p=1799

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http://viagenspelabibliotec.tripod.com/civilizacoesantigas/Maias.html

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http://pessoas.hsw.uol.com.br/calendario-maia3.htm

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http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/raio-x-maias-435135.shtml

http://pt.wikipedia.org/wiki/Fen%C3%B4meno_2012

http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2012/05/descoberta-de-novo-calendario-maia-desmente-teoria-do-fim-do-mundo.html

http://www.em.com.br/app/noticia/tecnologia/2012/05/11/interna_tecnologia,293746/pesquisadores-anunciam-a-descoberta-de-outro-calendario-maia.shtml

http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2011/03/pedra-maia-e-exibida-para-desmentir-anuncio-do-fim-do-mundo-em-2012.html

 

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