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Mecanismos das Alergias Alimentares

Mecanismos causadores das alergias alimentares

Vamos rever alguns pontos importantes das reportagens vistas acima:

  1. As alergias se tornaram uma epidemia dos tempos modernos: hoje, 1 em cada 3 adultos e 4 em cada 10 crianças têm algum tipo de alergia. Há 50 anos, as crises de alergia eram bem mais raras.
  2. A alergia, tanto alimentar quanto respiratória, é sempre uma batalha do organismo para expulsar um corpo estranho. Mas uma batalha exagerada. Anticorpos provocam, no sangue, a liberação de histamina, substância responsável pelos sintomas mais comuns da alergia.
  3. Por volta de 30% da população mundial tem alergia e acredita-se que até o final do século isso deve chegar a quase metade da população (50%)!
  4. Os cientistas apostam na causa como uma combinação de genética com exposição a poluentes e outros produtos químicos da vida moderna.
  5. Existe também uma hipótese evolutiva: pesquisas mostraram que o anticorpo que dispara a maioria das alergias tinha uma função bem diferente nos primórdios da humanidade. A IgE era uma proteção contra parasitas que infestavam o homem há milhares de anos.

Em pouquíssimo tempo, na escala biológica, a urbanização, os remédios e os hábitos de higiene transformaram nossas vidas. Sem ter o que combater, a IgE voltou suas armas para invasores inofensivos do meio-ambiente.

Agora vejamos outros pontos-de-vista que podem complementar estas questões:

  1. Peter D’adamo, médico autor da “Dieta do Tipo Sanguíneo” diz que o tipo de sangue O foi único tipo de sangue encontrado no homem das cavernas, e por milhares de anos foi o único tipo de sangue existente. É o mais freqüente ainda hoje (as pesquisas mostram que o sangue O(+) tem uma prevalência nos países que vai de 27 a 48% e o O(-) vai de 3 a 9% – veja tabela e figura no final da página). Na pré-história os homens tinham uma dieta baseada em carne, frutas, verduras e raízes e tinham um sistema digestivo próprio para digerir e metabolizar corretamente a carne. Tinham um pH do estômago muito ácido e maior secreção de enzimas digestivas. As pessoas do tipo O são mais intolerantes a introdução de alimentos impróprios ao seu sistema digestivo e imunológico como as farinhas e açúcares, como também a adoçantes, corantes, aditivos, agrotóxicos e a poluição. O sistema imune do tipo O é muito forte, hiperativo, tendo dificuldade em distinguir o que é “self” (próprio do indivíduo) do que não é “self” propiciando o aparecimento de doenças de auto-agressão (auto- imunes – ver em outra página) como Lúpus, Artrite reumatóide, Tireoidite de Hashimoto, Vitiligo, etc., assim como processos inflamatórios mais fortes e reações alérgicas. Alguns autores discordam desta teoria, dizendo que o tipo OO é recessivo e deve ter sido pouco comum no homem primitivo; mas “como o surgimento do ser humano coincide com a última glaciação e como fora demonstrado que o tipo OO é mais tolerante às baixas temperaturas, este pode ter possuído vantagem sobre os outros tipos”. [1]
  2. Segundo a ONG World Wildlife Fund (WWF) existem mais de 70.000 produtos químicos artificiais no mercado. Entre estes produtos, estima-se que existam mais de 3.000 produtos químicos classificados como “aditivos alimentares”: espessantes, corantes, flavorizantes, conservantes, etc. Um estudo da OMS informa que 70% das doenças que surgem nas cidades vêm pelas águas dos rios; estima-se que a água dos rios que abastecem as cidades tenham, em média, 4.000 a 5.000 substâncias químicas diluídas como agrotóxicos, dejetos industriais, esgotos das cidades, medicamentos excretados pelos doentes, etc. E estes milhares de produtos químicos estão em nossas casas, nossas comidas e nossas águas!
  3. Alergia ou intolerância a alimentos pertence ao importante capítulo da Má Adaptação ao Meio Ambiente ou “Ecologia Clínica”, onde algum alimento é o responsável pelo aparecimento de sintomas físicos ou psíquicos alguns dias após a sua ingestão (cansaço, fadiga, depressão, pânico, irritabilidade, alucinações, gastrite, colite, doença fibrocística de mama, enxaqueca, etc.) e a sua retirada é acompanhada pelo desaparecimento dos sintomas ou da doença. Theron Randolph, considerado o Pai da Ecologia Clínica, chegou à conclusão de que havia relação de causa e efeito direta entre alguns alimentos ingeridos e as queixas físicas e psíquicas de muitos de seus pacientes. Ele descobriu que “milhões de pessoas estavam doentes sem causa aparente; eram doentes crônicos que não apareciam nas estatísticas, que iam de médico em médico à procura de soluções e no final eram rotulados como psiquiátricos. Estas pessoas estavam simplesmente apresentando: Má Adaptação Ao Meio Ambiente”. Eram pessoas com má adaptação a algum alimento comum e inócuo para a maioria das pessoas, porém, reagiam a esse alimento com a produção de anticorpos por exemplo da classe IgG, de formação tardia e que provocavam portanto, sintomas também tardios. Os sintomas aparecem horas ou dias após a ingestão ou o contato, dependendo da individualidade bioquímica de cada um. [2]

Os três pontos fundamentais a serem lembrados aqui são:

  1. Para uma pessoa ser alérgica ou intolerante ela tem que ter uma predisposição genética específica;
  2. O nosso mundo está cada vez mais poluído e isto está causando uma epidemia de alergias nas pessoas suscetíveis, podendo chegar a 50% da população mundial até o final do século;
  3. Considera-se oficialmente como alergia apenas as chamadas “alergias verdadeiras”, causadas pelas imunoglobulinas tipo IgE, também conhecida como “imediata”, ou “anafilática”, mas a grande maioria das alergias alimentares são causadas pelas imunoglobulinas do tipo IgG e IgA, que não aparecem nos exames convencionais dos laboratórios, advindo daí as diferenças entre os pacientes que se dizem alérgicos por alimentos (20 a 30%) e os confirmados por exames da IgE (1 a 2% em adultos e 6 a 8% em crianças).

Já foi visto que as respostas alérgicas acontecem como um mecanismo de defesa do nosso organismo contra diversos agentes estranhos ao nosso corpo: vírus, fungos, bactérias, ácaros, pólen, alimentos, etc. Esta resposta ocorre quando os leucócitos entram em contato com proteínas diferentes das que são próprias dos nossos tecidos, resultando num ataque a estas proteínas por diversos mecanismos, bastante complexos em sua totalidade.

As proteínas são moléculas essenciais para manter a estrutura e funcionamento de todos os organismos vivos e podem ter diferentes propriedades e funções, como por exemplo: Estrutural ou plástica (São aquelas que participam dos tecidos dando-lhes rigidez, consistência e elasticidade: colágeno, queratina (cabelo), actinae miosina (fibra muscular), fibrinogênio (sangue), albumina, etc… Hormonal (Exercem alguma função específica sobre algum órgão ou estrutura de um organismo: insulina. Defesa (Anticorpos que realizam a defesa do organismo, especializados no reconhecimento e neutralização de vírus, bactérias e outras substâncias estranhas). Energética (Obtenção de energia a partir dos aminoácidos que compõem as proteínas). Enzimática (Enzimas são proteínas altamente especializadas capazes de catalisar reações bioquímicas; existem mais de 2.000 enzimas conhecidas, tais como: protease, lipase, amilase, ribonuclease, tripsina, quimotripsina, maltase, lactase, sucrase, cinase, fosfatase, hexocinase, lactamase, etc.). Condutoras de gases (O transporte de gases (principalmente do oxigênio e um pouco do gás carbônico) é realizado por proteínas como ahemoglobina e hemocianina presentes nos glóbulos vermelhos ou hemácias.

Representações artísticas de tipos diferentes de proteínas

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Representações artísticas de tipos diferentes de proteínas

Estas proteínas fazem parte de todos os seres vivos com os quais temos constantes contatos respiratórios e digestivos (vírus, fungos, vegetais e animais) e também estão presentes em milhares de produtos industrializados que também ingerimos (corantes naturais e sintéticos usados na indústria alimentícia (100 produtos) e farmacêutica (70% dos medicamentos têm corantes), antioxidantes, conservantes, espessantes, emulsionantes, estabilizadores, espessantes, gelificantes, edulcorantes, etc.).

As proteínas por sua vez são formadas por uma cadeia de peptídeos, e estes são compostos pelos aminoácidos. Dos 20 aminoácidos existentes, o nosso organismo não consegue fabricar 9, que devem ser supridos pela dieta.

Estrutura molecular de um peptídeo

Tipos de Aminoácidos e suas estruturas moleculares - Clique para ampliar

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Tipos de Aminoácidos e suas estruturas moleculares

Quando esta quantidade imensa de produtos protéicos entra em nosso processo digestivo ela passa pelo processo da digestão, quebrando-se até seus níveis mais elementares: os aminoácidos. Mas quando este mecanismo encontra alguma deficiência na quebra das proteínas pode ocorrer que grandes cadeias protéicas ou peptídicas penetrem na corrente sanguínea, gerando assim o disparo do sistema imunológico contra aquele corpo estranho (antígeno). A partir daí a alergia alimentar está instalada e funciona crônica e automaticamente a cada vez que o alimento alergênico é ingerido.

A falha deste processo digestivo pode ocorrer sob diversas condições, tais como: disbiose intestinal e Síndrome do Intestino Irritável (ver em outra página); uso excessivo e constante de antibióticos, antiinflamatórios e outras drogas; parasitoses crônicas; alergias alimentares a outros alimentos; deficiência enzimática e doenças do tubo digestivo (Colite, Crohn, etc.). Qualquer um destes processos pode danificar a delicada membrana que envolve a parte interna do intestino (epitélio), expondo os capilares sanguíneos aos alimentos ainda não digeridos, que acabarão alcançando o sangue e disparando a alergia.

Por isso uma alergia alimentar pode começar em qualquer idade e pode inclusive aumentar o número de alimentos alergênicos com o tempo.

No caso dos bebês em relação à alergia do leite de vaca o processo ocorre principalmente pela falta da imunoglobulina IgA, que é uma proteção presente na membrana do intestino.

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Estrutura do intestino, suas vilosidades e capilares sanguíneos

Conclusões parciais:

Alimentos e bebidas ingeridos diariamente constituem-se na maior carga exógena de antígenos imposta aos seres humanos, estimando-se que exceda a várias toneladas no transcorrer da vida. O trato gastrointestinal dispõe de vários tipos de mecanismos, imunológicos e não imunológicas para diminuir a entrada de proteínas estranhas no organismo.

A barreira não imunológica inclui a secreção de ácido clorídrico pelo estômago, a digestão das proteínas pelas enzimas intestinais e do pâncreas, o peristaltismo, a camada de muco e as microvilosidades da mucosa intestinal. É por esta razão que as alergias alimentares são muito freqüentes na infância (deficiência enzimática e imunológica) ou se manifestam bem mais tarde, após os 40 anos de idade, quando o sistema digestivo vai diminuindo progressivamente a produção das enzimas digestivas e de ácido clorídrico. A principal barreira imunológica a proteínas estranhas é a secreção da imunoglobulina tipo IgA-secretora no interior do intestino, a qual se complexa com as proteínas estranhas e bloqueia a sua absorção. As proteínas estranhas que conseguem chegar à circulação são recebidas por anticorpos da classe IgA, IgM e IgG os quais são eliminados do organismo pelo sistema retículo endotelial. Pessoas normais geram anticorpos da classe IgA, IgM e IgG em minúsculas quantidades em reação a antígenos alimentares.

As reações mediadas por IgE, que liberam histamina, prostaglandinas e leucotrienos, produzindo uma reação alérgica típica imediata (“anafilática”), com sintomas aparecendo em minutos, não são comuns nas alergias alimentares, compondo apenas 1 a 2% dos casos. As reações não mediadas por IgE e que envolvem as classes dos anticorpos IgA, IgM e IgG produzem os sintomas em horas ou dias.

Já as reações não mediadas por IgE e de mecanismo desconhecido representam um aumento da reatividade a um determinado alimento sem o envolvimento do sistema imune, às quais são chamadas de “intolerância alimentar” (ver em outra página).

Novas conclusões a respeito das origens das alergias alimentares:

 Estou estudando uma linha de terapia chamada Nova Medicina Alemã, do Dr. Ryke Hamer, e ele diz que a maioria das doenças das crianças atualmente é justamente causada pela ausência da mãe antes dos 2 anos de idade! Atualmente, por exigências de um mundo capitalista doentio (ver em http://drpaulomaciel.com.br/as-doencas/mulheres-fibromialgia-e-outras-doencas/), as mulheres geram seus filhos e depois os deixam em creches e maternais a partir dos 4 meses, quando têm que “voltar a trabalhar”.  A licença-maternidade prevê um afastamento de no mínimo quatro meses ou 120 dias corridos — que vale para todas as mulheres — e de no máximo seis meses (180 dias), dependendo do tipo de ocupação que a futura mamãe tenha.

E aqui esbarramos nas duas questões fundamentais para as alergias alimentares: a amamentação materna e a presença da mãe!

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda amamentação exclusiva, ou seja, quando a criança recebe somente leite materno, direto da mama ou ordenhado, ou leite humano de outra fonte, sem outros líquidos ou sólidos, com exceção de gotas ou xaropes contendo vitaminas, sais de reidratação oral, suplementos minerais ou medicamentos por quatro a seis meses e complementada até dois anos ou mais. Existem evidências de que não há vantagens em se iniciar os alimentos complementares antes dos seis meses (salvo em alguns casos individuais), podendo, inclusive haver prejuízos à saúde da criança. Por isso, vários países já adotaram oficialmente a posição de que a amamentação exclusiva deve se estender até em torno dos seis meses, inclusive o Brasil.

A prática da amamentação vem sofrendo diversas influências ao longo do tempo como: fatores socioeconômicos, culturais, inserção das mulheres no mercado de trabalho, estéticos e uso de medicamentos.

O leite de vaca é a principal causa de alergias alimentares em crianças, do lactente até os quatro anos de idade, em diversos países com hábitos alimentares ocidentais. A substituição do leite materno pelo leite de vaca antes de completados os seis primeiros meses de vida aumenta a probabilidade de reações alérgicas nesta faixa etária.

O leite humano é um alimento com características hipoalergênicas. É composto por fatores tróficos, anticorpos, propriedades anti-inflamatórias e imunomoduladores que favorecem o desenvolvimento da função da barreira imunológica e não-imunológica da mucosa intestinal, protegendo o lactente contra alergias alimentares, como também aumentando sua tolerância.

A alergia alimentar (AA) é uma reação adversa a proteína alimentar caracterizada por uma reatividade imunológica anormal em pacientes predispostos geneticamente. A resposta imunológica gera uma variedade de sintomas e manifestações clínicas expressas em diversos sistemas orgânicos, tais como a pele, o trato respiratório e gastrintestinal. A identificação e a eliminação da proteína alergênica da dieta devem levar a resolução dos sintomas. A prevalência da AA é maior nos primeiros anos de vida, afetando 6% das crianças abaixo de três anos de idade. Comumente a maioria das crianças com alergia à proteína do leite de vaca (APLV) inicia as manifestações clínicas no primeiro ano de vida e desenvolvem tolerância em 80% dos casos aos cinco anos de vida.

O lactente particularmente nos primeiros meses de vida é mais susceptível a absorção de macromoléculas e ao desenvolvimento de reações de hipersensibilidade devido à imaturidade gastrointestinal e do sistema imune.

A ingestão do colostro favorece a maturação dos enterócitos, aumenta a capacidade absortiva e acelera o desenvolvimento da barreira de permeabilidade, e ação potencializadora na produção de enzimas presentes nas microvilosidades intestinais, dentre outras.

A alergia alimentar é uma situação clínica que atinge principalmente as crianças nos primeiros anos de vida. Com frequência, as crianças desenvolvem alergia na mesma ordem a partir da qual os alimentos são introduzidos na dieta, e como, em geral, o leite de vaca é a primeira proteína estranha introduzida, a alergia à proteína do leite de vaca é a doença alérgica alimentar mais comum da infância. A redução na frequência e na duração do aleitamento natural impõe o uso cada vez mais precoce de fórmulas à base de leite de vaca, o que tem contribuído para o aumento progressivo da incidência deste tipo de alergia.

A prevalência de alergia alimentar é maior nos primeiros anos de vida e diminui ao longo da primeira década de vida. Também é mais frequente nos indivíduos com doença atópica, mas existem muitos casos que não estão relacionados a atopia: aproximadamente 35% das crianças com dermatite atópica, de intensidade moderada

e grave, têm alergia alimentar mediada por IgE e 6% a 8% das crianças asmáticas podem ter sibilância induzida por alimentos. A incidência nos três primeiros anos de idade é variável de 5% a 8%. Devido ao fato de muitas formas de alergia alimentar com manifestação gastrintestinal serem transitórias e à possibilidade de mudança da localização dos sintomas entre as reações de pele, respiratórias e gastrintestinais, os dados de prevalência em longo prazo são difíceis de obter.

Quais são, então, os fatores predisponentes às alergias alimentares?

1. Idade: Grande parte das reações alérgicas alimentares ocorre em crianças com menor idade. A alergia relacionada ao consumo do leite de vaca, por exemplo, afeta principalmente crianças com idade inferior a 3 anos, sendo o pico de incidência entre 6 e 18 meses de vida. Os possíveis mecanismos responsáveis pela maior ocorrência de reações alérgicas alimentares, nessa faixa etária, seriam: (1) imaturidade da mucosa intestinal; (2) deficiência de um tipo específico de anticorpo, o IgA, presente nas mucosas.

2. Hereditariedade: De forma geral, a tendência ao desenvolvimento de alergia é uma característica herdada geneticamente, e a maioria dos pacientes alérgicos apresentam parentes de primeiro grau com os mesmos sintomas. Em estudos realizados com crianças, foi sugerido que a história familiar de alergia seria o fator mais fortemente associado ao desenvolvimento de manifestações alérgicas. Essa hereditariedade parece estar ligada a uma maior predisposição que esses indivíduos têm de produzir um tipo específico de anticorpo, associado às reações alérgicas, o IgE.

3. Contato precoce com os antígenos: Antígenos são substâncias, ou partes delas, capazes de induzir uma resposta imune no nosso organismo, ou seja, a produção de anticorpos. Alguns tipos de alimentos, na presença de uma mucosa intestinal imatura, como nas crianças, apresentam maior potencial de causar alergia, pois seus antígenos são mais absorvidos pela mucosa. Vários estudos mostram que as crianças, que são amamentadas ao seio por mais tempo, têm menor chance de desenvolver alergia alimentar ao leite de vaca.

4. Potencial alergênico dos alimentos: O potencial alergênico refere-se à capacidade que o alimento tem de induzir uma reação alérgica. De uma forma geral, os alérgenos vegetais apresentam perda do potencial alergênico após a cocção, ao contrário dos alérgenos de origem animal. Aproximadamente 80% das proteínas do leite são resistentes ao calor, mantendo seu potencial alergênico mesmo após a fervura. No entanto, o potencial alergênico das proteínas do leite pode ser reduzido com processos empregados na produção das fórmulas infantis. Assim, essas fórmulas apresentam menor potencial de induzir alergia, embora ainda mantenha um certo risco.

5. Estado imunológico do indivíduo: As infecções e outras doenças que afetam o sistema imunológico podem aumentar a freqüência de sensibilização, pela perda da integridade da mucosa intestinal ou por alterações na resposta imunológica. Os pacientes que apresentam diarréia crônica possuem um risco maior de desenvolver alergia alimentar.

6. Deficiência de IgA: Esse anticorpo, na forma presente nas mucosas, é o mais importante do trato gastrintestinal, pois tem papel essencial na redução da absorção das substâncias alergênicas. Os indivíduos com deficiência na produção desses anticorpos apresentam risco aumentado de reações alérgicas alimentares.

Depois de todas estas considerações, vamos aprofundar um pouco os estudos do Dr. Hamer e a Nova Medicina Alemã:

 Compreendendo as Alergias

 Quando o verão bate à porta, chega com ele a “estação da alergia” para muita gente. Já me perguntei muitas vezes: “Por que algumas pessoas contraem febre do feno (rinite alérgica) e outras não? Quais fatores determinam se somos alérgicos a determinado pólen ou a outros agentes (pelos de animais, certos alimentos, metais, travesseiros de penas, mofo, ou fumaça de cigarro)? Ao longo das últimas décadas, a ciência médica tem proposto muitas teorias acerca do que causa uma reação alérgica. Uma das opiniões mais populares é que desenvolvemos alergia quando, estando enfraquecido o nosso sistema de defesas, o nosso organismo é exposto a alguma substância prejudicial. Mas, por que uma pessoa reage com coriza, outra com asma, e, uma terceira, com erupção cutânea?

O Dr. Ryke Geerd Hamer, médico internista, pesquisador e criador da Nova Medicina Alemã (GNM), explica o inteiro processo alérgico como uma interação biológica entre a psique, o cérebro e o órgão correspondente. Em 1981, o Dr. Hamer descobriu que todas as doenças [biolótgicas] começam com uma experiência de choque que nos pega desprevenidos. Ele chamou esse conflito inesperado de Síndrome de Dirk Hamer (DHS) em homenagem ao seu filho Dirk, cuja morte trágica provocou um câncer no próprio Dr. Hamer. Tal evento inesperado não precisa necessariamente ser espetacular. Ele pode ser acionado por uma raiva inesperada ou quando alguém nos dirige uma observação ofensiva. O Dr. Hamer descobriu que, no momento em que vivenciamos uma DHS, o choque conflituoso afeta uma área específica do cérebro, causando aí uma lesão que pode ser claramente identificada numa tomografia cerebral como um conjunto de anéis concêntricos nítidos [Os atuais tomógrafos não apresentam mais este sinal devido a avanços tecnológicos]. A resposta no órgão é determinada pela parte exata do cérebro que recebeu o choque conflituoso.

Segundo a Nova Medicina Alemã, todas as chamadas “doenças” têm duas fases. Durante a primeira, a fase de conflito ativo, sentimo-nos mentalmente estressados, temos extremidades frias, pouco apetite e problemas de sono. Se resolvemos o conflito, entramos na fase de resolução ou de cura, período em que a psique, o cérebro e o órgão correspondente passam pela fase de recuperação, um processo geralmente difícil de fadiga, febre, inflamações, infecções e dores.

São sintomas comuns tanto ao resfriado simples quanto a certas reações alérgicas, a congestão nasal, a coriza e os espirros. A membrana mucosa nasal é controlada por um relé cerebral no lobo frontal do cérebro novo. Analisando milhares de tomografias, o Dr. Hamer compreendeu que é exatamente essa área do cérebro que é afetada quando vivenciamos um conflito do tipo “Isto cheira mal!”, como ele gosta de chamá-lo. Suas descobertas confirmam que um conflito de “mau cheiro” pode ser vivenciado em termos reais, por meio de um mau cheiro repentino, ou figurativamente. No instante em que ocorre o conflito, a mucosa nasal começa a ulcerar, processo que geralmente passa despercebido. O que chama a atenção, entretanto, são os sinais típicos da fase de conflito ativo (tremores, perda de apetite e certa inquietação). Mas, tão logo resolvamos o conflito, geralmente saindo do ambiente ou da situação que “cheira mal”, a ulceração da membrana mucosa nasal é restaurada. A restauração dos tecidos perdidos causa congestão nasal e, geralmente, dores de cabeça (devidas ao edema cerebral na área afetada do cérebro, que também está em processo de cura). Os espirros e a coriza são, portanto, sinais de que o organismo está finalmente livrandose do resíduo do processo de restauração e, figurativamente, daquilo que causou o “mau cheiro”.

Quando vivenciamos um choque conflituoso inesperado, nossa mente fica numa situação de atenção máxima. Alerta ao extremo, nosso subconsciente recolhe todos os componentes que acompanham o conflito, tais como odores, gostos, sons, objetos ou pessoas, e os armazena até que o conflito seja completamente resolvido. Na Nova Medicina Alemã (GNM), as marcas que permanecem como consequência da Síndrome de Dirk Hamer (DHS) são denominadas “trilhos”. Esses trilhos são da maior importância, pois, se a pessoa já estiver na fase de cura e, subitamente, recair num desses trilhos (por associação ou contato direto), todo o conflito se repete e o Programa Especial com Significado Biológico (SBS), com todos os sintomas próprios de determinado conflito, recomeça desde o princípio. Em termos biológicos, isso é uma reação alérgica. Portanto, o que se costuma chamar de alergia é, de fato, já a fase de cura após uma recaída no conflito. O propósito biológico da alergia é servir de sistema de alerta que diz: “Numa situação assim, você teve uma DHS. Cuidado!”

Se alguém é alérgico a determinado alimento, como amendoim, ovos, morangos ou chocolate, muito provavelmente esse alimento estava sendo consumido no momento do choque conflituoso. É preciso esclarecer que, quando evitamos comer uma substância irritante, não é porque a evitamos que a alergia não se manifesta, mas sim porque evitamos recair no trilho! Se alguém reage a determinado pólen tendo coriza, podemos concluir que o pólen em questão esteve presente quando ocorreu um conflito do tipo “Isto cheira mal!” Enquanto o conflito não for resolvido completamente, o tal pólen servirá de trilho, fazendo a “alergia sazonal” recorrer ano após ano.

É preciso levar em conta esses trilhos quando estivermos lidando com desordens “crônicas”, tais como artrite, angina de peito, asma, hemorroidas ou infecções recorrentes. Segundo a Nova Medicina Alemã, o termo “crônico” significa que recaímos no mesmo conflito repetidas vezes. Para interrompermos o ciclo de reincidências contínuas e podermos concluir a fase de cura de uma vez por todas, precisamos identificar o(s) trilho(s) que foram lançados simultaneamente com o choque conflituoso original. As indicações da causa da alergia encontram-se geralmente escondidas no “contexto” da reação alérgica. Todas as circunstâncias, tais como hora do dia, lugar e sintomas específicos devem ser investigados cuidadosamente. Por exemplo, se alguém sofre de enxaqueca só em fins-de-semana, muito provavelmente encontraremos a fonte no local de trabalho. Nada se nota durante a semana, mas, nos dias de folga, longe do “culpado”, o organismo aproveita a chance de curar-se. Ao incorporarmos a Nova Medicina Alemã à nossa vida diária, aprendemos com crescente gratidão a linguagem na qual a Mãe Natura fala conosco. *

Outro estudo maravilhoso que fecha com chave de ouro estas teorias, foi conduzida por Harry F. Harlow (1905-1981):

 Harlow e os macacos Rhesus 

Harry foi um psicólogo norte-americano que ficou conhecido pelas suas experiências sobre a privação maternal e social em macacos Rhesus, e que demonstraram a importância dos cuidados, do conforto e do amor nas primeiras etapas do desenvolvimento.
As suas experiências laboratoriais consistiram na criação de duas “mães” artificiais (imitação de uma macacos Rhesus), uma era feita apenas com armação de arame enquanto a outra, era também de armação de arame, porém, forrada com pano felpudo e macio.
Harlow observou que os macacos bebés preferiam claramente as “mães” mais confortáveis. Esta preferência mantinha-se independentemente de qual a mãe que fornecia o alimento. Outras observações mostraram que o que estava em causa não era só a procura de conforto.
O contato parecia ser essencial ao estabelecimento de uma relação que transmitia segurança. Perante um estímulo gerador de medo, os macacos agarravam-se à “mãe” macia tal como o fariam a uma mãe real. Este comportamento nunca era observado com as “mães” de arame, mesmo em macacos criados só com ela.
Além disso, perante uma situação com muitos estímulos novos e na presença da “mãe” confortável, as reações de medo e de se agarrar, rapidamente davam lugar à exploração curiosa dos objetos, com regressos periódicos à “mãe” para recuperar a segurança.
Pelo contrário, na ausência da “mãe” confortável, os macacos ficavam paralisados pelo medo e não exploravam o ambiente. Isto acontecia também na presença da “mãe” de arame, mesmo em macacos criados sempre na sua presença. Ou seja, uma “mãe” desconfortável é incapaz de transmitir segurança.
O resultado desta e de outras experiências, permitiram Harlow concluir que a variável contato reconfortante suplementava a variável amamentação.
Harlow observou ainda que os macacos Rhesus com mães reais, demonstravam comportamentos social e sexual mais adiantados do que os criados com mães substitutas de pano, e que estes últimos apresentavam comportamentos sociais e sexuais normais se diariamente tivessem oportunidade de brincar no ambiente estimulador dos outros filhotes.**

Se até os macacos ficavam paralisados pelo medo na ausência da mãe confortável, imagine o que deve acontecer com um bebê de 4 meses ou menos que, de repente, é deixado numa creche ou maternal com dezenas de outras crianças chorando, gritando e invadindo o seu espaço e sendo cuidado e nutrido por pessoas desconhecidas, longe do seu “ninho” de aconchego e segurança!? Como diria o Baby da Família Dinossauro: “Não é mamãe! Não é mamãe!”

Unindo, agora, todas as causas possíveis da origem das alergias alimentares, podemos concluir que:

  1.  As mães estão desmamando seus filhos muito cedo em termos biológicos, por vários motivos: têm que voltar a trabalhar, não tem tempo para isso, dá muito trabalho, tem pouco leite, deforma as mamas, etc.
  2. A mucosa do bebê ainda não está pronta para absorver alimentos diferentes do leite materno e passa a considera-los como “corpo estranho”, gerando mecanismos imunológicos para ataca-los.
  3. O propósito biológico da alergia nos bebês de colo é servir de sistema de alerta que diz: “Numa situação assim, você teve uma DHS. Cuidado!” Qual foi a situação? O afastamento físico da mãe e a interrupção do aleitamento materno (que traz contato pele com pele, olhos nos olhos, a voz da mãe, o contato da boca com o seio, o carinho e o toque da mãe, etc.), dando no seu lugar uma mamadeira com leite de vaca ou de soja!

Fontes pesquisadas para os textos de alergias:

[http://www.asbai.org.br/revistas/Vol253/trato.htm]

[http://www.boasaude.com/lib/ShowDoc.cfm?LibDocID=5262&ReturnCatID=1803]

[http://www.dominioprovisorio.net.br/pesquisa/revista/2009Vol20_4art9alergiaalimentar.pdf]

*Compreendendo as Alergias, por Caroline Markolin, Ph.D. [http://learninggnm.com/documents/Allergies%20Portuguese.pdf]

** Harlow e os macacos Rhesus [http://psicologiaexperimental.blogs.sapo.pt/1627.html]

 

12 Responses to “Mecanismos das Alergias Alimentares”

  1. Elisangela disse:

    As informações repassadas neste site , touxe uma noção melhor sobre alergia, por tanto , tenho alergia e ainda não sei se é alimentar? Ja fiz varios teste mas nenhum deles mostrou o motivo da alergia. Resumindo alergia e a situação mas complexa que o ser humano possa enteder……

    • drpaulomaciel disse:

      Para saber se é alimentar, só com o Vegatest ou com o exame das IgG feito nos EUA! Uma forma indireta de saber é retirar totalmente o alimento por 7 dias e depois reintroduzi-lo para ver que sintomas melhoram e retornam com a dieta. Abs.

  2. Manuela Lopes disse:

    Durante a primeira infância,manifestei um leve quadro de rinite.Hoje, após os 40 anos, desenvolvi alergia (manifestação imediata) à alguns remédios.Porém, dos 42 em diante estou com a rinite forte a poeira, mofo,perfumes,batom,etc.Notei também que não estou de dando bem com alguns alimentos com corante/aromatizante/leite/conservantes/chocolate.Além da garganta coçar e arder,às vezes sinto mal estar com nausea,dor de cabeça,tontura, cansaço, fadiga…
    Isso ocorreu pela diminuição das enzimas digestivas?Existe alguma relação com o declínio dos hormônios???

    • drpaulomaciel disse:

      A diminuição das enzimas digestivas causa “intolerância alimentar”, que não é o seu caso. Os seus sintomas indicam presença de “alergia alimentar”, por ter sintomas sistêmicos (gerais). Não existe relação direta entre as alergias e a menopausa.

  3. Dr. Paulo,

    gostei muito de etr encontrado seu site, pena que só tem consultório em Curitiba 🙁
    Tenho 32 anos, nunca tinha tido alergia a absolutamente nada, até que durante a minha gravidez, tinha uma reação (lábios inchando e coçando, coceira na garganta, mão, vermelhidão) a camarão. Parei de comer camarnao e frutos do mar até parar de amamentar meu filho. Voltei a comer mais umas 2x, mas os sintomas (junto com uma leve taquicardia), voltavam, então agora resolvi parar de vez, e até o meu amado sushi, mesmo que só de peixe, tenho evitado, pois a gente nucna sabe se estavam guardados juntos. Hoje, pela primeira vez, tive uma alergia de contato, ainda não sei ao quê, a coceira inusportavel e vermelhidão começaram no torax, logo depois começaram placas “com relevo” por toda a marca do soutien, que eu tirei, ams aí a alergia subiu e se espalhou fortemente pra braços, pescoço, ombros e rosto. Fui ao São Luiz e me deram Fernergan injetável e Predsin na veia. E fui orientada a procurar um alergista o mais rápido possível, o Dr. esclarecimento sobre o ocorrido, já que não comi nenhuma comida fora do comum, nem nenhuma que eu já não usasse? E também, gostaria de saber se tem algum colega com essa mesma visão “integral” da medicina aqui em SP?Pode ser particular. Desde já obrigada,
    Maria Carolina

  4. Ana disse:

    Dr Paulo, li sobre os testes realizados nos Estados Unidos (IgG Food Alergy Test e FICA Food Imune Complex Assay) e gostaria de saber se há algum laboratório no Brasil que faz o envio de material para o laboratório americano, ou se é necessário ir até lá para realizá-los, pois tenho um diagnóstico não conclusivo de alergia crônica há mais de dois anos.
    Desde já agradeço,
    Ana

  5. Andreia disse:

    Boa tarde doutor,
    Presentemente tenho sofrido de várias descargas intestinais. Fui ao médico e ele retirou me da alimentação os potenciais provocadores de alergias. Começei entao com uma dieta para a diarreia e depois passados 3 dias começaria a introduzir alimentos até obter uma alimentação normal digamos. tambem começei a comer soja para substituir a proteína do leite de vaca. Acontece que a as diarreias nao pararam totalmente, andei alguns dias com feses muito moles até que estabilizei 9 dias. Com a introdução de alimentos voltei a aintroduzir iogurtes de soja. Passado um dia voltaram as instabilidades. Entao pensei vou tirar a soja e isto passa. A verdade é que nao passou, há 7 dias que tenho diarreia, antenção nao sao constantes. Imaginemos, de manha acordo e faço feses normais, depois a tarde fico com cólicas e tenho diarreia. hoje por exemplo ainda nao fui ao wc. é possivel que passados todos estes dias o meu organismo ainda esteja a libertar o agente que provocou a alergia?

    • Andreia:
      Os sintomas das alergias alimentares podem durar até 4 a 7 dias, mas o que provavelmente está acontecendo é que você ainda não descobriu qual é a sua real alergia. Para você ter uma idéia, na minha experiência os alimentos mais alergênicos são: leite de vaca, gluten, soja, amendoim, corante tartrazina, açúcar, ovo, camarão, glutamato monossódico, nozes e amendoas e manga.
      Abs.

      • Hoje, estamos realizando no laboratório o teste de intolerância alimentar, através da metodologia ELISA que pontua no soro a quantidade específica de IgG que o paciente tem para cada um dos 109 alimentos analisados numa amostra de 5 ml de sangue do paciente.
        Dr.Paulo, se o senhor tiver interesse, poderei mostrar pessoalmente essa técnica que será exposta numa aula que darei no IV Congresso Anti-Envelhecimento do Dr. Paulo Tai, nos dias 17, 18 e 19 de maio próximo. Seu Colega, Dr. Paulo Grimaldi.

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