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O Deus de Abraão

Abraão e Deus

Depois de concluirmos na página anterior que, pelo Gênesis do Antigo Testamento, Jeová e Allah são o mesmo Deus, podemos agora examinar quem era este Deus, antes do surgimento do Judaísmo e do Islamismo!

Sim, porque Abraão não era judeu de berço, como muitas pessoas imaginam: ele nasceu na antiga cidade de Ur, nas margens do Rio Eufrates:

“Eis a descendência de Taré: Taré gerou Abrão, Nacor e Arã. Arã gerou Ló. Arã morreu na presença de seu pai Taré, em sua terra natal, Ur dos caldeus.” (Gn 11:27-28) “Ele os fez sair de Ur dos caldeus para ir ao país de Canaã, mas, chegados a Harã, ali se estabeleceram.” (Gn 11:31) “Iahweh (יהוה) disse a Abrão: “Deixa teu país, tua parentela e a casa de teu pai, para o país que te mostrarei. Eu farei de ti um grande povo, eu te abençoarei, engrandecerei teu nome; sê tu uma benção!” (Gn 12:1-2)

Abrão, que segundo a Bíblia é o antepassado do qual descenderam todos os hebreus, o primeiro dos patriarcas e considerado o fundador do judaísmo, nasceu na cidade de Ur! Existe, entretanto, um erro neste texto: o Gênesis cita a cidade de Ur “dos caldeus”. Ora, o império babilônico-caldeu teve início apenas no ano de 625 a.C., portanto muitos séculos depois do Êxodo de Moisés e da viagem de Abraão. Como isto é possível? Devido às evidências históricas e à tentativa de alguns autores em adaptá-las ao texto bíblico, os pesquisadores colocam a cronologia de Abraão desde o séc. XIX a.C. até o séc. VI a.C., estando mais provavelmente entre 1950 e 1750 a.C., período compreendido pela 12ª dinastia egípcia  (1991-1783 a.C. – duração de 208 anos).

Em um site que questiona se Abraão era judeu, a resposta é a seguinte:

“Na verdade Abraão ou Abrão, como ele se chamava inicialmente, não era judeu de berço. Gênesis 11.26-28 diz em relação à sua origem: “Viveu Tera setenta anos e gerou a Abrão, a Naor e a Harã. São estas as gerações de Tera. Tera gerou a Abrão, a Naor e a Harã; e Harã gerou a Ló. Morreu Harã, na terra de seu nascimento, em Ur dos caldeus, estando Tera, seu pai, ainda vivo.” Sobre Ur lemos num dicionário bíblico: “Cidade muito antiga no sul da Babilônia, que se indentifica como Tell el-Muqayyar; ela estava situada na margem direita do rio Eufrates, a meio caminho entre Bagdá e o Golfo Pérsico. Tera e seus filhos – entre eles Abrão – nasceram em Ur e de lá se mudaram para Harã”. Portanto, a pátria de Abraão ficava na Babilônia. Josué também salienta isso no seu “discurso à nação”: “…Assim diz o Senhor, Deus de Israel: Antigamente, vossos pais, Tera, pai de Abraão e de Naor, habitaram dalém do Eufrates e serviram a outros deuses” (Js 24.2). Abraão de fato descendia de Sem, portanto era um semita, mas ele servia a quaisquer outros deuses babilônicos. Ter origem semítica ainda não significava ser o patriarca de Israel, mas simplesmente que Canaã lhe seria submisso, seria seu servo (Gn 9.26).” *1

Várias questões nesta resposta são importantes: 1. Abraão não era judeu; 2. Ur não era uma cidade nos reinos da Babilônia, nem da Caldéia; 3. A origem semítica (descendência de Sem), pode ser questionada historicamente; 4. Abraão e seus ascendentes adoravam os deuses babilônicos.

Segundo o Gênesis, a genealogia de Adão a Abraão é a seguinte: Adão -> Set -> Enós -> Cainã -> Malaleel -> Jared -> Henoc -> Matusalém -> Lamec -> Noé ->  Sem ->  Arfaxad  -> Salé -> Héber -> Faleg -> Reu -> Sarug -> Nacor -> Taré -> Abrão, Nacor e Arã.

Com relação à genealogia de Adão a Noé, leia-se na Bíblia de Jerusalém:

“Esta genealogia da tradição sacerdotal liga-se ao capítulo 2:4a. Ela quer preencher o intervalo entre a criação e o dilúvio, como a genealogia de Sem cobrirá o tempo que vai do dilúvio a Abraão. Não se deve procurar aqui uma história ou uma cronologia. Os nomes são os restos esclerosados de antigas tradições; muitos são reencontrados na lista javista dos descendentes de Caim (4:17). Os números (idades) são bastante diferentes no Pentateuco samaritano e na versão grega.

Quanto à parte que Abraão e seus antepassados “adoravam outros deuses”, Josué diz: “Então Josué disse a todo o povo: Assim diz o Senhor Deus de Israel: Além do rio habitaram antigamente vossos pais, Terá, pai de Abraão e pai de Naor; e serviram a outros deuses.” Josué 24:2.

A Bíblia não traz referências históricas que possam identificar com segurança tanto a data do seu nascimento, quanto a época de sua “chamada espiritual” . Eis a trajetória bíblica de Abrão, Sarai e Ló (filho de Arã): Ur -> Harã -> Canaã -> Siquém -> Betel e Hai -> Negueb -> Egito.

Um detalhe importante nesta jornada aparece no meio desta viagem: “Abrão atravessou o país até o lugar santo de Siquém, no Carvalho de Moré. Nesse tempo os cananeus habitavam nesta terra:

“E tomou Abrão a Sarai, sua mulher, e a Ló, filho de seu irmão, e todos os bens que haviam adquirido, e as almas que lhe acresceram em Harã; e saíram para irem à terra de Canaã; e chegaram à terra de Canaã. E passou Abrão por aquela terra até ao lugar de Siquém, até ao carvalho de Moré; e estavam então os cananeus na terra.” Gen 12:5,6

Iahweh / Jeovah (יהוה) apareceu a Abrão e disse: “É à tua posteridade que eu darei esta terra.” Abrão construiu ali um altar a Iahweh, que lhe aparecera.” (Gn 12:6-7) Note-se que o texto diz que Siquém é “santo”, mas não explica o porquê. Também não é compreensível porque Iahweh resolve dar as terras de Canaã aos hebreus, e não as regiões férteis do Delta do Nilo ou da Mesopotâmia; além disso, não esclarece porque Iahweh não autoriza Abrão a estabelecer-se naquele local, imediatamente. Devido a isso, Abrão continua sua viagem, tendo construído mais um altar em Betel/Hai (cidades vizinhas), e, “de acampamento em acampamento, foi para o Negueb”. Acabou, depois, indo ao Egito, devido a “uma fome que assolava o país”.

Vamos considerar, para efeitos de estudo, que Abrão viveu no séc. XIX a.C., época em que ocorreu o colapso da terceira dinastia de Ur, motivo plausível para a sua saída e de sua família, em busca de “novos horizontes”, em especial na próspera 12ª dinastia egípcia. Corrigindo, então, o texto acima, teríamos: “Arã morreu na presença de seu pai Taré, em sua terra natal, Ur dos Sumerianos. (Gn 11:27-28) Ele os fez sair de Ur dos Sumerianos para ir ao país de Canaã, mas, chegados a Harã, ali se estabeleceram. (Gn 11:31)

Uma das explicações para este erro histórico é que quando esta parte da Bíblia foi escrita (ou reescrita), a Suméria não existia mais há séculos e ela foi descrita como sendo da era dos Caldeus! Isto aconteceu na época do Cativeiro Babilônico, de 609 a 538 a.C.. É certo que o período de cativeiro “em Babilônia” terminou no primeiro ano de reinado de Ciro II (538 a.C./537 a.C.) após a conquista persa da cidade de Babilônia (538 a.C.). Em consequência do Decreto de Ciro, os judeus exilados foram autorizados a regressar à terra de Judá, em particular a Jerusalém, para reconstruir o Templo.

Uma questão importante aqui neste momento é que este texto não visa provar historicamente os dados sobre Abraão, nem mesmo comprovar a sua existência, já que lemos na Wikipedia portuguesa:

“Acredita-se que Abraão teria vivido mais provavelmente entre os séculos XXI e XVIII antes de Cristo. Uma vez que não existe atualmente nenhum relato da sua vida independente das escrituras – especificamente, do Livro do Génesis -, é preciso ter fé para acreditar que ele tenha sido uma figura histórica ou um personagem exaltado por Moisés a fim de explicar a origem dos hebreus e motivar o êxodo de seu povo do Egito em direção à terra de Canaã para concretizar as promessas de Deus.

O Judaísmo considera a existência e a importância de Abraão. Abraão é considerado o fundador da nação hebraica. Segundo uma tradição judaica, Abraão era o guardião da Torá inteira, incluindo até mesmo os acréscimos rabínicos, antes mesmo de ser revelada por Deus.

O Islão também considera a existência e a relevância de Abraão (com o nome de Ibrahim) como sendo o ancestral dos Árabes, através de Ishmael. A data de 1812 é por vezes apontada. A tradição judaica também aponta que o patriarca teria vivido entre 1812 a.C e 1637 a.C (175 anos). O Judaísmo, o Cristianismo e o Islão são por vezes agrupados sob a designação de “religiões abraâmicas”, numa referência à sua suposta descendência comum de Abraão. Há registros que apontam para o seu nascimento em 2116 a.C.” *2

Um site religioso, que pretende analisar a história de Abraão pela arqueologia, chega à seguinte conclusão:

“Tenha em mente que o conjunto de informações disponíveis para os eruditos modernos é muito pequeno, quase inexistente. Como o Gênesis é a nossa única fonte antiga para a vida dos patriarcas, merece o orgulho do lugar. Deixe os críticos oferecerem a prova de que Abraão não existiu. Na ausência de tal prova inalcançável, é lógico admitir a evidência do texto bíblico, sem os argumentos do silêncio que sempre caracterizam os ataques à Escritura. A arqueologia ainda fornece iluminação para o período do tempo patriarcal sem ser forçada a suportar o fardo impossível de provar sua existência.” *3

Por isso é importante deixarmos claro aqui que estamos falando de questões de fé e não de história; mesmo porque, para efeitos da História, mesmo que a existência de Abraão fosse comprovada, jamais seria possível provar que Abraão conversou com Deus (ouviu e falou), quer tenha sido Ele Jeová (הוהי), Elohim (םאלהי), ou Allah ( الله)!

Voltando à Teologia, sabemos que durante a Reconstrução do Templo é que foi finalizado o Pentateuco como o conhecemos hoje, e onde o nome de Deus como Iahweh / Jeovah (יהוה) se estabeleceu definitivamente! Uma questão que escapa de quase todos os estudiosos da Bíblia é uma pergunta que Moisés fez à Deus: Moisés disse a Deus: “Quando eu for aos filhos de Israel e disser: ‘O Deus de vossos pais me enviou até vós’; e me perguntarem: ‘Qual é o seu nome?’, que direi?” Ex 3:13. Observa-se aqui que Moisés não sabia qual Deus estava lhe falando, nem de quem se tratava. A resposta de Deus encontra-se nos vv. 14 e 15:

“E disse Deus (אלהים) a Moisés: EU SOU O QUE SOU (אהיה אשר אהיה). Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU (יהוה) me enviou a vós. E Deus (אלהים) disse mais a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel: O Senhor Deus de vossos pais, o Deus (אלהי)* de Abraão, o Deus (אלהי) de Isaque, e o Deus (אלהי) de Jacó, me enviou a vós; este é meu nome eternamente, e este é meu memorial de geração em geração.” Ex 3:14,15 * ( אֱלֹהֵי , elohé ) Forma construtiva plural de אֱלֹהִים ( elohím ) . 

A seguir, no cap. 6, encontramos: “Deus falou a Moisés e lhe disse: “Eu sou  Iahweh. Apareci a Abraão, a Isaac e a Jacó como El Shaddai (אל שדי); mas pelo meu nome, Iahweh (יהוה), não lhes fui conhecido.” (Ex 6:2-3)

Como pode ser isto? O nome Iahweh aparece, na versão atual do AT, em Gn 2:4-seg (“No tempo em que Iahweh Deus fez a terra e o céu,…”); além disso, a designação inicial de Deus no Gênesis é Elohim, e não Iahweh, e El Shaddai já aparece em Gn 17:1 (“Sendo, pois, Abrão da idade de noventa e nove anos, apareceu o SENHOR a Abrão, e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-Poderoso [El Shaddai (אל שדי)];, anda em minha presença e sê perfeito.”), sem esquecermos da forma que Ele se identifica a Jacó: “Eu sou Iahweh, o Deus de Abraão, teu pai, e o Deus de Isaac.” (Gn 28:13).

A explicação a esta confusão toda se encontra nas fontes usadas para a construção da “última versão da Torá”! Vejamos:

A Introdução ao Pentateuco da Bíblia de Jerusalém comenta:

“A composição desta vasta coletânea [Pentateuco] era atribuída a Moisés pelo menos desde o começo de nossa era, e Cristo e os apóstolos conformaram-se a esta opinião. Mas as tradições mais antigas jamais haviam afirmado explicitamente que Moisés tivesse sido o redator de todo o Pentateuco. Quando o próprio Pentateuco diz-o que é muito raro-que “Moisés escreveu”, aplica essa fórmula a alguma passagem particular. Efetivamente, o estudo moderno desses livros apontou diferenças de estilo, repetições e desordens nos relatos, que impedem de ver no Pentateuco uma obra que tenha saído toda ela da mão de um só autor. Depois de longas hesitações, no fim do século XIX uma teoria conseguiria impor-se aos críticos, sobretudo por influência dos trabalhos de Graf e de Wellhausen: o Pentateuco seria a compilação de quatro documentos, diferentes pela idade e pelo ambiente de origem, mas todos eles muito posteriores a Moisés.” *4

Inicialmente havia duas obras narrativas paralelas: a Javista (J) e a Eloísta (E). A fonte Javista nasceu de tradições orais siro-cananéias, as quais eram repetidas pelos contadores profissionais, sendo guardadas apenas de memória; aceita-se que foi escrita pela primeira vez no séc. IX, em Judá. O termo “Javista” é usado porque desde o relato da Criação, no início do Gênesis, utiliza o nome de Iahweh para designar Deus, enquanto a fonte “Eloista” utiliza-se do nome Elohim. A obra Javista é mais antiga, impessoal, e tem um estilo vivo e colorido; não tem um caráter religioso e até desconhece um sacerdócio organizado. A obra Eloista tem um estilo mais sóbrio e uniforme, onde os relatos das origens começam com Abraão, surgindo um pouco mais tarde que a Javista, em Israel. Finalmente, apareceu a tradição sacerdotal (P), criada pelos sacerdotes do templo de Jerusalém mas que só se constituiu durante o Exílio na Babilônia e se impôs depois do retorno. Por questões de linguagem, forma e conceitos, é relativamente fácil seguir no Gênesis os textos javistas, eloístas e sacerdotais; já nos três livros seguintes (Êxodo, Levítico e Números), indentifica-se com facilidade apenas a versão sacerdotal. Em Deuteronômio as três correntes desaparecem e são substituídas por uma tradição única, a do Deuteronômio (D).

A partir desses diversos blocos da tradição, o crescimento do Pentateuco se processou em várias etapas, cujas datas, porém, é difícil precisar. As tradições javista e eloísta foram combinadas em Judá, pelo fim da época monárquica, talvez no reinado de Ezequias, quando, segundo nos informa Pr 25:1, foram compiladas antigas obras literárias”: “Também estes são provérbios de Salomão, os quais transcreveram os homens de Ezequias, rei de Judá.

Antes do fim do Exílio, o Deuteronômio, considerado como uma lei dada por Moisés em Moab, foi inserido entre o fim de Números e os relatos sobre a nomeação de Josué e a morte de Moisés (Dt 31 e 34). É possível que a adição da tradição sacerdotal ou, se se preferir, a intervenção dos primeiros redatores sacerdotais, tenha sido feita pouco depois. Em todo caso, a “Lei de Moisés” trazida da Babilônia por Esdras parece representar todo o Pentateuco já próximo de sua forma final.” *5

A continuação do comentário esclarece:

“Depois da ruína do Reino do Norte, os dois documentos foram reunidos num só (JE); depois de Josias, o Deuteronômio lhe teria sido acrescentado (JED); depois do Exílio, o Código Sacerdotal (P), que continha sobretudo leis com algumas narrações, teria sido somado a esta compilação, a qual serviu de arcabouço e de armadura (JEDP). … A descoberta das literaturas mortas do Oriente Médio e os progressos feitos pela arqueologia e pela história no conhecimento das civilizações vizinhas de Israel mostraram que muitas leis ou instituições do Pentateuco tinham paralelos extrabíblicos bem anteriores às datas atribuídas aos “documentos”  e que numerosos relatos supõem um ambiente diferente e mais antigo daquele em que estes documentos teriam sido redigidos. Vários elementos tradicionais eram conservados nos santuários ou eram transmitidos pelos narradores populares. Foram agrupados em ciclos e depois postos por escrito sob a pressão de um ambiente ou pela mão de uma personalidade dominante. Mas essas redações não constituíram um termo em si mesmas: elas foram revisadas, receberam complementos, foram enfim combinadas entre si para formar o Pentateuco que nós possuímos.” *6 

Para maiores detalhes desta construção do Pentateuco, leia em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Hipótese_documental.

Resumindo, como Abraão nasceu em Ur dos Sumerianos, entre 1950 e 1750 a.C., podemos concluir que o Deus do patriarca dos judeus e dos muçulmanos era, na realidade, um deus mesopotâmico:

“El Shadday ou Shadday (em hebraico: אל שדי) é um dos títulos do Deus de Israel na Bíblia Hebraica. Ocorre cerca de 48 vezes em toda a Escritura nas construções El Shadday e/ou Shadday, este último, sem o epíteto teofórico El. Tal termo é convencionalmente traduzido como ”Deus Todo-Poderoso” nas bíblias em português, apesar de existir, ainda hoje, discussões acerca do real significado dessa expressão na antiga mentalidade hebreia.

Shaddai como um topônimo: O termo pode significar “Deus das planícies”, referindo-se à divindade mesopotâmica da montanha. O termo foi um dos nomes patriarcais para o deus tribal dos mesopotâmicos. Em Êxodo 6:3, El Shaddai é identificado explicitamente com o Deus de Abraão e com YHWH. O termo aparece principalmente na Torá. Isso também poderia se referir a permanência do acampamento israelita no Monte Sinai, onde Deus deu a Moisés os Dez Mandamentos.

Shaddai era uma cidade amorita do final da Idade do Bronze, nas margens do rio Eufrates, no norte da Síria. O sítio do monte de sua ruína é chamado Tel eth-Thadyen: “Thadyen” sendo a tradução árabe moderna do original semítico ocidental “Shaddai”. Especula-se que El Shaddai era, portanto, o “Deus de Shaddai” e associado a tradição com Abraão e a inclusão das histórias de Abraão na Bíblia hebraica pode ter trazido o nome do norte com eles.” *7

Portanto, depois desta longa explicação da Bíblia de Jerusalém, concluímos que o verdadeiro e antigo nome do Deus que chamou Abraão à sua missão era “El Shaddai” (אל שדי), e não Jeová / Iahweh (יהוה), nem Elohim (אלהים), nem Allah ( الله)!

Porque estes nomes se confundem historicamente? Pela razão de que todos eles vêm dos povos Semitas, cuja origem vem de uma expressão no Gênesis que se referia à linhagem de descendentes de Sem, filho de Noé. Modernamente, as línguas semíticas estão incluídas na família camito-semítica, incluindo as seguintes: acadiano, ugarítico, fenício, hebraico, aramaico, árabe, etíope, egípcio, copta gala, afar-saho, amorita, assírio e caldeu.

Existem três hipóteses para a origem dos povos semitas: A primeira hipótese é de que esses povos teriam se originado na Etiópia e depois se estabelecido na Arábia e no Oriente Médio. A segunda é de que os Semitas seriam originários do sul da Mesopotâmia. E a terceira e a mais convincente é de que esses povos teriam surgido na Arábia e a partir de 3.500 a.C. teriam migrado para outras regiões em busca de terras férteis. *8

Esta origem comum também explicaria porque o Gênesis diz que o Jardim do Éden ficava na Mesopotâmia:

“E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, do lado oriental; e pôs ali o homem que tinha formado. E o Senhor Deus fez brotar da terra toda a árvore agradável à vista, e boa para comida; e a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore do conhecimento do bem e do mal. E saía um rio do Éden para regar o jardim; e dali se dividia e se tornava em quatro braços. O nome do primeiro é Pisom; este é o que rodeia toda a terra de Havilá, onde há ouro. E o ouro dessa terra é bom; ali há o bdélio, e a pedra sardônica. E o nome do segundo rio é Giom; este é o que rodeia toda a terra de Cuxe. E o nome do terceiro rio é Tigre; este é o que vai para o lado oriental da Assíria; e o quarto rio é o Eufrates. E tomou o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar.” Gen 2:8-15

Entre os antigos povos semitas estão os Fenícios, Hebreus, Amoritas, Cananeus, Sírios, Arameus, Árabes e Hicsos, o que deu também a origem para o surgimento e a expansão do Judaísmo e do Islamismo tal como os conhecemos até os dias de hoje!

Mas tudo isto é assunto para outro dia!

Fontes:

*1 http://www.cacp.org.br/abraao-era-judeu/

*2 https://pt.wikipedia.org/wiki/Abraão

*3Keep in mind that the body of information available to modern scholarship is very small, almost non-existent. Since Genesis is our only ancient source for the lives of the patriarchs, it deserves the pride of place. Let the critics offer proof that Abraham did not exist. In the absence of such unattainable proof, it is only logical to admit the evidence of the biblical text, without the arguments from silence that always characterize attacks on Scripture. Archaeology still provides illumination for the patriarchal time period without being forced to bear the impossible burden of proving their existence.” http://www.truthnet.org/Biblicalarcheology/2/Patriarchalperiod.htm

*4 A Bíblia de Jerusalém. 1. ed. São Paulo: Paulinas, 1981, p. 28.

*5 Ibid., p26

*6 Ibid., p.146.

*7 Wikipedia: https://pt.wikipedia.org/wiki/El_Shaddai.

*8 https://pt.wikipedia.org/wiki/Semita

 

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